quarta-feira, 9 de março de 2011

Sticks and Bricks III


"Estávamos a meia dúzia de passos da casa dele e vi várias pessoas a saírem de lá, vestidas de preto e depois olhei o Gonçalo nos olhos, na esperança que ele me dissesse alguma coisa para me acalmar, e ele simplesmente baixou a cabeça, aconchegou as mãos nos bolsos e suspirou bem fundo, aí reparei que também ele estava totalmente de preto!
Nem conseguia pensar direito com tanta coisa a acontecer á minha volta. Não conseguia distinguir se era realidade ou apenas fruto dos meus sonhos. E eu desejava tanto que fosse fruto dos meus sonhos. Mas não me impediu de ter esperança que fosse encontrar o Rafael, no seu quarto...a respirar.
Assim que entrei no hall de entrada, a mãe dele veio ter comigo, abraçou-me e assim que aconcheguei a minha cabeça no seu ombro, os meus olhos caíram no caixão que estava no meio da sala.
Fiquei sem chão naquele momento. O caixão estava aberto e era Ele que lá estava. Era o Rafael que estava dentro dele. Sereno, de mãos cruzadas. Larguei a mãe dele e arrastei-me até ao caixão, ajoelhei-me e desatei a chorar. Soluçava de tal maneira que por vezes me faltava o ar. Fiquei ali. Com ele. Adormeci no chão, ao lado do caixão. E desejei estar morta para não ter que aguentar tamanho sofrimento, tamanha dor e assim poderia encontrá-lo e ficar com ele, realmente…eternamente!
Senti alguém a tocar-me. Era a mãe dele.
- Querida, tens que ir. Já está tarde.
- Mas e o Rafael?
- Querida, já o levaram. Está na Igreja. Anda, vamos.
Abracei-a com força.
Entrei na Igreja. Ao pé do altar, lá estava ele, assim que o vi, desatei a chorar e saí dali e fui até ao Nosso Lugar.
O Nosso Lugar era uma casa na árvore. Ficava por detrás da casa dele.

(Há dois anos atrás)
 Eu conhecia apenas o Gonçalo e este levou-me lá a casa do Rafael.
- Gonçalo, para é que me trazes aqui?
- Maria, anda e cala-te! Vais divertir-te!
- Não me parece, Gonçalo! Eu não conheço o rapaz e trazes me aqui á casa dele! Não me sinto confortável.
- Cala-te, miúda. Ele não se importa. E vais conhecer o que temos feito no quintal dele, aos fins de semanas. Vais amar!
- Okay, Okay!

Estava reticente mas fiz a vontade ao Gonçalo. Já estava farta de estar em casa, só eu e eu.
Como não estava nada á vontade, o ambiente estava esquisito e ninguém falava.
G: Rafael, esta é a Maria.
R: Hey, Maria. Tudo bem?
M: Sim.
Mantive-me no meu ‘canto’, não dei confiança. Não conhecia o rapaz de lado nenhum. Estava capaz de matar o Gonçalo.
A Árvore era enorme, capaz de aguentar com uma casa, pensei.
M: Gonçalo, vocês estão a fazer uma casa?
G: Sim, Maria. Vai ser o nosso ‘esconderijo’.
Fiquei entusiasmada e decidi ajudá-los, desde pequena que sonhava com uma casa na árvore e o meu pai nunca conseguiu satisfazer-me este desejo.
Comecei a passar mais tempo com o Rafael. Todos os santos fins de semanas estávamos juntos e cada vez mais estávamos íntimos e em constante brincadeira um com o outro.
Houve um fim-de-semana que o Gonçalo decidiu cortar-se por assim dizer e ficamos sozinhos a tratar do tecto da Casa.
R: Maria, eu gosto de ti.
(enquanto pintava) M: Sim, Rafael, também gosto de ti. És uma pessoa brutal.
R: Não, Maria. Eu GOSTO de ti.
M:  Han? Como assim?
R: Desde que apareceste á minha porta com o Gonçalo que não paro de pensar em ti. Não paro de pensar na tua maneira estúpida de rires, na tua maneira parva de amuares quando nada corre bem, adoro os teus olhos e cada vez que estou contigo, apetece-me beijar-te.
Assim que ele acabou de falar, eu fiquei perplexa e sem reacção. De repente, ele aproxima-se de mim, tocou-me nas bochechas coradas, afastou me o cabelo e puxou-me para ele.
Naquele instante ele tirou-me o ar, senti aquelas ‘borboletas’ e sorri. Afastamo-nos e sorrimos. Aí ele ajoelhou-se e fiquei parva a olhar para ele.
R: Maria, queres … queres namorar comigo?
Fiquei atónica a olhar para ele. Levantei-o e beijei-o.
M: Isto responde á tua pergunta?
R: Acho que sim.
(…)

Foi naquele lugar que nos conhecemos, beijamo-nos pela primeira vez e fizemos amor pela primeira vez, aquele lugar foi construído pelas nossas mãos e com ele cresceu o nosso amor.
Ele não podia ter me deixado, ele não podia ter-me mentido e ter ido embora! Ele devia ter ficado comigo, ter me dito o que se passava com ele e assim poderíamos aproveitar o tempo que nos restava em vez de ter ficado sozinha, a chorar dias e noites seguidas sem saber a verdade e agora ele está morto.
Caí na realidade e chorei, chorei na casa da árvore e fiquei ali dias e dias, a chorar e sem comer ou beber. Tinha perdido a pessoa mais importante da minha vida… para sempre.

(...) continua
por Al*

3 comentários:

Catarina disse...

ai tens um jeitao querida. estou a adorar...
vais fazer uma especia de historia de memorias sobre o amor deles depois da morte dele?

Catarina disse...

isso e bom :)
obrigada :) tens toda a razao

Sara C. disse...

Está a ficar mesmo fixe !