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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

trying give me a end XII


“Então chegamos ao presente, Andy. Olá, sou a Catherine  e já fiz os 18 anos. Os meus pais tentam manter-se juntos e eu, dear Andy tento manter-me viva. Nunca mais vi aquele canalha. E ainda bem. Nunca mais voltei a confiar em rapazes. E principalmente, naqueles em que aparentam ser mais velhos do que a idade que me dizem. O dinheiro nunca mais voltei a vê-lo. Aparentemente, sou uma rapariga normal. Tento esconder o que sou realmente perante a sociedade. Não preciso que os outros tenham pena de mim. Com tudo o que se passou comigo, ainda não entrei na Universidade. Tirei um ano para me recompor. E acho que vou dar em doida pois vou ter imenso tempo livre. Já pensei em arranjar um part-time mas o calor do meu quarto mantêm-me aqui. Aqui, não preciso de me esconder e nem tenho que me esforçar para não ser eu. Aqui, entre estas quatro paredes sou eu, a verdadeira Cath. A Cath magoada. A Cath que quando desespera recorre à auto-mutilação. E é disto que tenho medo. Supostamente, este ano é para me recompor mas vou ter imenso tempo livre, vou ter imenso tempo para pensar no passado. O passado vai ter imenso tempo para me destruir pouco a pouco. Eu preciso de algo que me mantenha longe de mim. Longe destes pensamentos suicidas. Quer dizer, na verdade não desejo morrer. Apenas desejo sentir algo mais forte do que senti quando o Tio (…) e de quando o Vasco ou John (…) e de quando descobri o segredo da Mãe. Dear Andy, gostava que fosses real. Mas um real em que tivesses tudo o que eu desejo. Um real em que fosses tudo o que eu sou (excepto a parte da auto-mutilaçã0). Apesar de fazer o que me faço, eu sou uma pessoa. Eu já me diverti. Eu já saí á noite. Eu já tive amigas. Eu já tive amigos. Eu já viajei. Eu já participei activamente na sociedade, tanto diurno como nocturno. Eu já fui feliz. Eu já nadei no Oceano. Eu já passei noites fora de casa. Eu já bebi e fumei e passei horas a rir. Eu já fui o dito adolescente ‘normal’. Eu já me babei, literalmente, aquando via rapazes lindos. Eu já trabalhei. Eu já fui feliz com os meus pais. Os meus pais já me deram na cabeça, por isto e por aquilo. Eu já fiz tudo e mais alguma coisa. Agora, tenho 18 anos e quero ir para a Universidade. Quero ter um emprego estável. Talvez um emprego que me leve a viajar por todo o mundo e conhecer tudo e mais alguma coisa. Quero registar tudo em fotografias. Quero ter filhos. Quero conhecer o Homem da minha Vida. Quero ter a minha casa de sonho junto ao mar. Sempre perto do mar. Dear Andy, quero isto tudo mas não estou psicologicamente preparada. Ainda penso em cortar-me. Ainda penso que não valho sequer o ar que respiro. Na verdade, estava só a sonhar alto. Na verdade, eu não sei realmente para que é que eu sirvo, com que propósito estou aqui, a respirar e a escrever-te. Não sei o propósito do meu caminhar nesta vida. A depressão e auto-mutilação tornaram-se as minhas palavras de eleição. Estas palavras são apenas o que me definem agora, neste preciso momento. Já não tenho amigos em quem confiar. Devo procurar quem eu deixei para trás!? Eu quero. Eu tenho saudades deles. Eu preciso deles. Vou pensar seriamente nisto e talvez te dê a conhece-los, dear Andy mas entretanto permaneço de pés e mãos atadas e por um indeterminado tempo.“

(continua, talvez)
por Al*
ps:  nunca é demais relembrar, que é puramente inventado!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

trying give me a end XI

"Não sei se devo fazer grande alarido e gritar " Voltei, Andy " ou se devo vir pé ante pé e pedir desculpas. Sim, estou vida, vou sempre estar. A última vez que te falei foi estranho, aquilo aconteceu mesmo, Andy. Deves andar farto dos meus dramas e na tua mente deve apetecer-te gritar comigo a pulmões abertos para eu crescer. Já deves ter reparado o quanto o Vasco me magoou e como desejo não voltar a falar nele mas devo-te isto e por isso vou contar-te o resto. Então, depois daquele corte irreflectido que ele presenciou, o Vasco passou a estar ainda mais presente nos meus dias e como os meus pais pouco paravam em casa, eles não se importavam da presença dele pois ficaria a tomar conta de mim. Passou-se um ano. Um ano de luta para ambos, para nos curar dos fantasmas do passado... Assim pensava eu. Nesse ano, o Vasco conseguiu colocar-me fora de casa, provocou idas ao shopping, á praia e até mesmo saídas à noite. Ele foi a minha cura temporária e com isto, ele curou-se a ele mesmo, achava eu. Fazíamos um ano de namoro e ele veio ter comigo a pedir-me uma quantia exuberante de dinheiro e eu, cega de amor, emprestei-lhe. Uns dias depois ouvi uma conversa ao telemóvel : " Vick, têm calma contigo! Não posso ir ter contigo hoje. Tenho que ficar. Tenho de ser credível para ela confiar ainda mais! " Como não ouvia muito bem, aproximei-me dele e ouvi a resposta dela que atravessou-me como facadas e foi mais ou menos isto : " Eu não quero saber! Tens que aparecer cá hoje á noite, John. Estou cansada de te partilhar com essa miúda mimada e cheia de problemas! Pede-lhe a próxima parte e saímos daqui no final da semana. Também te amo ". Comecei a recuar e tropecei. O Vasco ou John virou-se para trás e assim que me viu desligou o telemóvel sem dar satisfações á sua companheira e estendeu-me a mão para me ajudar a levantar e eu inspirei fundo, recompus-me e tentei afastar a voz dela da minha cabeça mas cada vez mais fazia eco e não aguentei. As lágrimas caíram. Foi impossível manter a postura mas consegui convencê-lo de que estava a acabar de chegar, que tinha tropeçado e que estava transtornada pois tinha visto uma carta de uma empresa de advogados e achava que os meus pais se iriam separar. Assim que eu disse isto, observei a sua linguagem corporal e os músculos descontraíram assim que ele percebeu que eu não tinha ouvido a conversa mas eu ouvi e foi como levar uma chapada com toda a força que tu possuís. Então, Andy e agora? Tipo no momento, fingi. E pronto, fingi que estava tudo bem. Cinco estrelas - que mentira mais mentirosa pah. Ele abraçou-me mas deu-me nojo e afastei-o de mim, subi as escadas para o meu quatro e tranquei a porta. Ele veio atrás de mim. Bateu na porta inúmeras vezes e eu gritava para ele me deixar em paz, que precisava de espaço para mim. Ele não saiu mas ao menos desistiu de bater na porta. De manha, acordei e verifiquei que ele dormi ali. Não percebo. Porque raio ele se importa tanto comigo se apenas se aproximou de mim para me extorquir? Acordei-o e ele disse que tinha que ir a casa. E eu pensei " Ah pois. A Vick ameaçou-te! Tens que ir amassar a fera! ". Então, Andy decidi segui-lo. Quando chegou a casa, já ela estava lá. Cabelo preto, morena, alta e aparentava ter uns vinte anos enquanto que o Vasco ou John aparentava ter uns 17. E eu estava quase a fazer anos, sweet sixteen. Assim que se viram, beijaram-se. Não consegui e abordei-os e foi mais ou menos assim.
C: Olá, Vasco. Ou devo dizer, John.
Ele virou-se e ficou chocado com a minha presença. Estavam ambos em silêncio e a olharem-me perplexos com a situação pois não esperavam ser apanhados.
V: Hey, miuda.
C: Eu sei que és mais velha, mais bonita mas podias ter um pingo de respeito.
V/J: Hey, meninas, acalmem-se.
C: Eu sei que só queres extorquir-me.
V/J: Então, sempre ouviste a conversa. Pois, já esperava mas quis acreditar que não e quis acreditar na tua desculpa.
C: Sim, mas a tua mentira foi muito maior que a minha.
V/J: Eu posso explicar! Há uma explicação.
C: Não, não há! Então, tudo o que passamos, sentimentos, o psicologo, momentos, isso tudo que passamos, é uma mentira, uma ilusão?
V/J: Não é bem ...
C: Cala-te crlh! Esta pergunta têm apenas duas opções, Sim ou Não e responde sinceramente, seu filho da mãe. Agora que está tudo á deriva, sê sincero.
V/J: Sim, Cath. Foi tudo uma ilusão. Desculpa.
C: Era só isso que precisava de saber.
A Vick sorriu. O Vasco ficou com uma cara que nem sei descrever e eu, bem eu , virei-lhes as costas e nem lhes pedi o dinheiro. Virei-lhes as costas para eles não verem as minhas lágrimas e Andy, foi nesse dia, nesse maldito dia em que descobri tudo, em que fui completamente enganada e usada como uma marioneta que decidi fazer algo para me fazer sentir viva, para me fazer sentir minha e que eu mandava no meu corpo. E procurei nas drogas essa sensação mas só quando me cortei acidentalmente é que senti o que procurava e até hoje, Andy só a auto-mutilação me fez sentir. E não resisti a um cortezinho no dedo, desculpa mas foi doloroso demais voltar a falar disto mas acho que é assim que tudo vai mudar, a enfrentar as coisas e a criar o meu próprio caminho. Chega por hoje, Andy. Desculpa e não sei quando hei-de voltar.

(continua)
por Al*

sábado, 2 de julho de 2011

trying give me a end X


" Voltei, Andy. Desculpa a ausência. Estava frágil. Na verdade, fumei umas agora e lembrei-me de ti e decidi escrever. Queres saber o que sinto!? Leveza! Apenas isso. Sinto que nada pode me fazer mal, que estou numa bolha de ar e que ninguém, mas ninguém me pode magoar. O que sinto mais, dear Andy … sinto-me noutra dimensão. Como se existe-se outro lado! Lado esse que atravessei devido ao poder das drogas. Lado esse em que estou sozinha. Lado esse que posso descrever como único, digno de um sonho. Estou deitada na relva alta com flores brancas. Borboletas voam, contornam o meu corpo e se a vista não me traiu, aquela vermelha com pintas brancas acabou de sorrir para mim! De repente, sou avassalada por uma sensação de perigo e ouço a relva a estalar a cada avanço daquele ser. Sentei-me assustada e procurava saber donde vinha aquele som e de repente, alguém fala. “ O que fazes aqui? “. Por meio desta pergunta, percebi pelos sons produzidos enquanto falava de que se tratava de uma cobra. Não fugi. Apenas respondi, Isso pergunto eu! Este é o meu sonho! A cobra mudou de expressão e os seus traços mostravam uma indignação e acho que até ficou surpreendida pelo facto de não ter mostrado medo. E disse, Estou aqui porque tu me imaginaste. Não respondi. Simplesmente me levantei e segui o meu caminho. Não me interessava falar com aquele ser e não me transmitiu confiança. Quando me levantei reparei que possuía um vestido longo, colorido e que estava descalça. Comecei a minha caminhada e enquanto pensava que iria cortar-me em alguma pedra ou ser mordida por algum bicho reparei que a cobra me seguia e perguntei-lhe tentado não transmitir a minha insegurança, Porque me segues? e ela disse, És tu! Eu sou apenas fruto da tua imaginação. Eu não acreditei no que ela me disse e comecei a correr por aquele campo. E de vez enquando olhava para trás para verificar que estava suficientemente longe dela pois não queria a sua presença e numa dessas vezes em que olhava para trás a cobra preparava-se para me morder e desejei estar no mar. E assim foi! Assim que me virei para a frente dei por mim, no meio do mar. Sozinha! Ia me afogando com o susto. E ali estava eu, a boiar na superfície da água gélida. Ora mexia os braços para não adormecerem e tentei fazer o mesmo quando foi com a cobra: desejar! E desejei estar noutro lado qualquer mas nada. Ficava no mesmo sítio. Quando acabei naquele lugar no meio do nada, o Sol estava no seu auge, no ponto mais alto e foi descendo até se pôr. Ficou de noite. E com a noite, veio o medo. A lua elevava-se lá no alto iluminando uma pequena ilha disposta mesmo no centro do mar. Os meus escassos estudos de geometria permitiram-me verificar isso visualmente. Comecei a nadar em direcção à ilha que reflectia a luz do luar tão assustadoramente que quase me hipnotizava. Quando fiquei mesmo no limiar, senti algo a sugar-me lentamente. Raios!, pensei, Tenho de desejar novamente! Não desejei nada em concreto. Limitei-me a fechar os olhos e a respirar uma lufada de ar fresco e quando os abri situava-me na minha rua. Por norma a minha rua era movimentada, sempre com pessoas a andarem de bicicletas, delinquentes a pintar paredes com desenhos, no mínimo, asquerosos e a atazanarem a vida das pessoas. Mas, ao invés disso, a rua estava completamente deserta e não se ouvia nada para além da brisa suave que adejava os arbustos e árvores. Achei bizarro aquele cenário e fiquei, de certa forma, confusa… Estaria no plano da realidade ou no plano da fantasia? Avistei a minha casa ao fundo e corri até ela. Retirei a chave do esconderijo e introduzi na porta mas ela não se abriu e no porta chaves, cerca de quarenta chaves tinham sido acrescentadas. Irrevogavelmente estava no plano da fantasia. Sempre a mesma, Cath… Eu ajudo-te!, disse-me uma voz familiar. Olhei para trás e não vi ninguém. Senti, posteriormente, alguém arrancar-me as chaves da mão. Olhei para o meu lado esquerdo e vi que se tratava de Vasco. Não sabia se havia de barafustar, sorrir ou chorar. A porta abriu-se. Faça favor, madame., disse, gesticulando com o seu braço um modo cordial de entrar. Entrei, ainda atónita com todo aquele cenário e sem palavras. Sentei-me no meu sofá e ele sentou-se de seguida, cruzando as pernas, como era o seu hábito. Então, Cath? Como tens estado? Há muito tempo… Não o deixei terminar. Tu és real?, questionei-o olhando-o nos olhos. Ele levantou-se e, em tom de brincadeira e exibindo um sorriso provocador, ditou: In blood and flesh, baby! Sorri, relembrando as nossas tardes mas ainda estava convencida que ele não era real. Não respondeste… como tens andado?, prosseguiu no seu interrogatório. A sua mão pousou na minha, pisando o recente corte. Retraí-me. Vasco pegou na minha mão e retirou a luva sem dedos que eu tinha colocado, ou imaginado, não sei. Olhou para mim com aquele olhar complacente, meigo e meloso e levou a minha mão de encontro aos seus lábios. Olhei-o cada vez mais atónita. E sem ter imaginado nada, nem sequer ter cerrado os olhos, acordei no meu quarto, de barriga voltada para cima mirando o tecto inexpressivo. Lembrava de cada pormenor com precisão. Andy… acho que ando a precisar de mudar de rumo… acho que este novo vício pode ser a saída mas a entrada num outro mundo na qual não me revejo. "


(continua)
por Al* e Hayley Nya*
devido a uma fantástica ferramenta no tumblr em que nos permite escrever em conjunto
e achei que precisava de alguém para escrever este capitulo.
Espero que gostem ;)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

trying give me a end IX


" Acho que já me sinto preparada para escrever sobre isto. Acho, por isso não te espantes se parar. Então como já disse, começamos a falar. O médico recomendou passar alguns dias em casa e o Vasco aparecia por lá para me fazer companhia. Víamos filmes, comíamos pipocas, falávamos de nós e das coisas que gostávamos. Ele gosta de rock. Eu gosto de rock. Ele gosta de comédias. Eu gosto de comédias. Ele gosta de How i met your mother. Eu também. Ele gosta de lasanha. Eu também. Ele gosta de fotografia. Também gosto. Ele gosta de saídas. Eu também. Ele compreendia-me. Eu também a ele. Riamos de coisas parvas. Partilhávamos gostos e não gostos. Cada vez que aparecia lá em casa, aquelas horas com ele eram as melhores do meu dia e as restantes era a pensar o quanto eu queria que chega-se o dia a  seguir para ter a companhia dele! Era realmente bom tê-lo comigo. Nunca lhe contei o que me fez frequentar um psicólogo e ele também nunca me perguntou. Quando estávamos juntos nunca falamos das razões ou de como estávamos ou do que sentíamos em relação aos nossos problemas e isso devia-se ao facto de eu estar a ser a solução para ele e este a solução para mim. Éramos a solução um para o outro. O nosso ‘nós’ curava as feridas do nosso passado, diferente para cada um apesar de a cura ser igual. Andy, éramos tão amigos e estávamos tanto tempo juntos que comecei a sentir mais do que amizade. Apetecia-me beija-lo, abraça-lo, senti-lo. E sentia que ele sentia o mesmo. Após tanto tempo de amizade, ele beijou-me. Foi mágico! Sentir os lábios dele foi como um choque eléctrico. Arrepelou-me cada pêlo e apurou-me os cinco sentidos. Aquele beijo pareceu-me uma eternidade e quando nos descolamos, sorrimos involuntariamente e aí, abracei-o. Naquele momento, não falamos sobre o beijo. Ele teve que ir embora. O pior veio depois. Ele esteve uns dias sem aparecer lá em casa e isso deu comigo em doida! Comecei a questionar se tinha feito algo de errado, se ele não gostava de mim e por aí. E depois ele não atendia as minhas chamadas, não respondia ás minhas mensagens! Os dias foram passando até que recebi uma carta dele. Ele tinha ido ao Porto. Não tinha bateria no telemóvel. Foi a pior semana. Estar sem ele fez-me ver o quão bom ele era para mim e o quão fácil era curar-me! Nessa semana não me aguentei e cortei-me. Quer dizer, no dia em que ele apareceu lá em casa, depois de chegar do Porto, ele viu-me com a tesoura na mão. Ele ficou em choque. Ele ficou pálido! Ele não conseguia falar. Eu pousei-a a tesoura. Comecei a chorar. Ele lá acordou daquele transe e abraçou-me! Nessa noite, dormiu comigo. Abraçados. Já sentia falta daquela sensação de segurança. E ele foi o meu porto de abrigo. Andy, tudo mudou com ele e para melhor. A segunda vez que caí na tentação de me cortar por causa dele foi naquela noite. Aquela noite arruinou tudo. Foi como se me tirassem o meu chupa-chupa, o boneco preferido para dormir. Foi um ano de cura intensiva. Um ano de namoro. Um ano de amor. Ou talvez, ilusão do mesmo. Sim, foi tudo uma ilusão. Um sonho que sonhei acordada. Um sonho que foi demasiado real. E agora, Andy, estou presa neste sonho. Nesta realidade sem Ele. Agora, chegamos á Cath do presente. À Cath amargurada. À Cath que se refugia nas drogas. À Cath que as usa para fugir dela mesma. À Cath que te criou, Andy! Chego á conclusão que tu não passas de mais um objecto da minha imaginação. Não passas disso! Tal como foi a minha relação com o Vasco. Um verdadeiro fracasso. Talvez, tenha sido um erro começar a escrever. Começar a lidar com o meu passado. Vou deixar-te perdido na minha mente, Andy. Desculpa abandonar-te mas ainda não estou pronta para lidar com tudo isto e por agora, fico-me pelas tesouras e drogas. E sozinha! Confinada ás quatro paredes do meu quarto. Aos retratos. Ás memorias. Aqui tudo aconteceu e será aqui que deverá terminar. Adeus, Andy. Ate já. "

(talvez, continue)
por Al*, inventado!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

trying give me a end VIII

" Eu estava realmente apaixonada, querido Andy. Lembras-te do Vasco? Lembras-te da Carta? Acho que chegou a altura de falar sobre Ele, sentimentos, memórias, mágoas.
« Olá, Catherine. Sou o Vasco como já deves ter reparado na parte da frente do envelope! Desculpa não ter respondido á tua mensagem mas fiquei demasiado feliz que nem sequer sabia o que responder e optei por esta carta mas só agora depois de saber que estavas no Hospital é que Eu decidi enviar-ta antes que fosse tarde demais. Antes de mais, gostava que soubesses o que me trazia àquele consultório. Agora tenho 17 anos mas na altura, tinha 10 anos. Tudo corria bem. Eu era feliz! Morava com os meus pais biológicos no Porto e não havia indícios de que tudo se poderia desmoronar num belo dia de Verão. Os meus avós moram aqui em Lisboa e convidaram-nos a vir passar uns dias. No dia do meu aniversário, fizemos as malas e fizemo-nos à estrada. Estava realmente contente pois desde o Natal que não via os meus avós e tenho por eles uma estima enorme, Cath (posso chamar-te Cath?! Não interessa, chamo-te na mesma!). Os meus pais iam na conversa e a programar o que iríamos fazer, se íamos ao Oceanário ou ao Zoo ou até mesmo a ambos! Eu ia no banco de trás, a brincar com os meus brinquedos e de vez enquando a minha mãe perguntava “Então, agrada-te? Vamos passear muito, meu filho!!” e eu simplesmente mantinha os olhos nos meus camiões e abanava a cabeça enquanto produzia os sons dos motores como um puto fazia com apenas dez anos. Numa dessas vezes em que eles procuravam a minha atenção, os olhos de ambos não estavam na estrada e eu vi um Camião enorme a aproximar-se de nós a um velocidade que não me parecia que ia parar. Não consegui gritar apenas olhava até que ouvi gritos, um estrondo e não me lembro de mais nada. Acho que não é preciso continuar mais. Falar disto é difícil para mim, Cath. Deves estar a pensar como soube de ti e bem, confesso que nesse dia estava a dirigir-me á tua casa. Entretanto arrependi-me e apenas fiquei a observar a tua casa e não conseguia tocar a campainha para entrar até que apareceu uma ambulância e te vi sair de casa ao colo do teu pai sem expressão facial e com lágrimas nos olhos e naquele momento pensei que não podia deixar passar a oportunidade de te conhecer, de ouvir-te falar, de olhar os teus olhos, de tocar nas tuas mãos, de acompanhar-te em saídas e levar-te a comer gelados. Cath, dá-me uma oportunidade de te conhecer. Beijos, Vasco »
Andy, foi esta a carta que ele me mandou. Assim que a li, desatei a chorar e procurei imediatamente o meu telemóvel e foi a partir daí que começamos a sair e a estar mais tempo juntos. Sinceramente, apesar de tudo, fui realmente feliz com ele. Fui mesmo feliz com ele até ele estragar tudo. Bem, Andy fica para outra altura o próximo capitulo.  "

(continua)
por Al*

terça-feira, 21 de junho de 2011

trying give me a end VII

" Era Natal. Psicólogo achou que não precisava de voltar a vê-lo. O Pai que costumava ser presente começou a ser ausente. Quando procurava a sua presença ou apenas lhe telefonava as nossas conversas restringiam-se a ‘Olá’, ‘tudo bem?’ e ‘A que horas vens para casa?’. Na altura queria tirar a carta de mota. Andava com um fascínio doido por Scooters, Vespas! Andava in love. Sempre que queria confrontar o Pai, ele não estava disponível, Andy. Eu procurava o carinho dele, a atenção dele, a sua voz, o seu calor humano para que tudo o que tinha acontecido recentemente fosse ultrapassado com êxito. Andy, a Mãe notava a tristeza que eu sentia na ausência do Pai e um dia, ela confrontou-o. Estava no meu quarto e ouvia os gritos, vozes entrecortadas e sabia que era por minha causa. Decidi ir defender a Mãe e ia a descer a escadaria quando ouço o Pai a dizer com uma voz carregada de amargura, dor e sofrimento: Mary, tu traíste-me! Não podes pedir que esqueça ou que me habitue! Peço desculpa se não consigo dar atenção á Catherine e isso deve-se talvez, hm … ao facto de me teres traído com o meu melhor amigo e talvez porque ando a afundar-me no trabalho para que isto funcione! Não é fácil, Mary! Amo-te e amo incondicionalmente a nossa filha mas não é fácil! - Tropecei numa ponta saliente de um degrau das escadas e acabei por descer o resto de uma vez, caindo muito mal. Fiz grande estrondo e quando reparei estava nos braços do Pai e sentia o seu coração a bater fortemente junto do meu e lembro-me de sentir os meus olhos a ficar húmidos e dizer: Vai ficar tudo bem. Eu tenho a certeza! – Acordei num quarto de Hospital. Felizmente, foi uma queda simples mas muito aparatosa. Naquelas cadeiras super desconfortáveis, encontrava-se o Pai a dormir. Olhei-o demoradamente e senti a sua dor, senti a dor da traição. Senti-me também eu traída pela Mãe, Andy. Depois de tudo, a Mãe traiu-nos. Entretanto, recebo uma carta inesperada, Andy. Tinha conhecido um rapaz que frequentou o mesmo psicólogo que eu. Encontrava-o sempre ao sair do Consultório aquando era a minha vez de entrar. Apenas trocamos olhares até que um dia, ele entregou-me um papel com o seu número de telemóvel. Lembro-me bastante bem deste dia. Cheguei a casa com um sorriso diferente e a Mãe reparou. Contei-lhe e ela mesma enviou-lhe uma mensagem. Fiquei fula e super envergonhada com a lata dela! Mas logo lhe agradeci pois eu sabia que não ia ter coragem de lhe enviar a mensagem. A carta era dele, Andy. Não sei como é que ele soube o que me aconteceu mas gostei do gesto. Talvez um dia escreva aqui um excerto retirado da carta dele. Vasco, era e é o nome dele, Andy. Não a li no Hospital. Logo, nesse dia voltei para casa e os Pais falaram comigo na sala. Fez me lembrar as primeiras sessões com o psicólogo: Filha, assim que me disseste aquilo antes de ires para o Hospital, percebi que tinhas ouvido a nossa conversa. Antes demais, é feio ouvir as conversas dos Adultos! Logo, interrompi e resmunguei, Ahah, Pai tenho 15 anos. E este assunto também me diz respeito. Vocês são meus pais! Não quero que se separem! e uma lágrima preparava-se já para descer e sabia que depois desta iria ser como se fosse uma cascata e por isso, contive-me. Filha, a Mãe lamenta o que aconteceu! Eu não queria, juro-te mas estava a ser tão difícil lidar contigo e depois em vez de procurar abrigo na família, fui cometer um erro terrível que nunca mais aconteceu mas que foi o que bastou para dilacerar a minha relação com o teu pai! Fiquei estupefacta. A Mãe culpou-me e eu, furiosa, exclamei, Só podes estar a gozar comigo! A culpa é minha, é isso? Eu, tua filha, empurrei-te para a cama de outro Homem, foi!? Não podes culpar-me! Nem te atrevas a tentar fazê-lo outra vez! Respirei fundo e olhei o Pai. Ele estava absorto, pensativo mas não estava ali pelo menos a cabeça dele viajava para fora daquela casa e logo de seguida, mudou a sua expressão e transmitiu-me um olhar que transbordava horror como se tivesse visto algo que não devia ter visto: Pai, tu apanhaste a Mãe em pleno acto, não foi?, e apenas disse com dificuldade: Como …? – E apenas o olhei com pena e compaixão pois também me sentia traída. Instalou-se, depois daquele momento, um silêncio bastante perturbador que provocou que, eu visiona-se na minha mente a cena toda, o filme todo mas logo depressa acordei para a realidade devido á voz do Pai: O que interessa é a família e Catherine é o que tu precisas mais neste momento por isso estou disposto a fazer este esforço por ti e pelo que resta de amor á nossa família e á tua Mãe. Vou tentar estar mais presente. Vou tentar esquecer e tudo porque vocês são demasiado importantes para mim. Andy, confesso que não esperava esta mudança, esta tentativa por parte do Pai. Os dias seguintes foram um martírio. Ainda não tinha perdoado a Mãe e evitava falar com ela, ou seja, apenas falava o essencial. Passei a estar mais tempo com o Pai! Passei a ir ao cinema com ele, a ir á empresa com ele, ensinei-o a patinar e o Natal passou-se. O tempo passou, Andy e acabei por perdoar a Mãe e agora, será que foi o mais certo!? Não sei. Só a passagem do tempo é que mo poderá dizer mas adianto-te já querido Andy de que o Pai ausente de que te descrevi anteriormente, tanto neste desabafo como no dos outros dias, esse Pai após alguns anos voltou a ser o que era aquando a descoberta da traição mas desta vez por minha causa. Desta vez, a causa da sua dor e mágoa sou eu, a sua querida e adorada Cat! Andy, que posso eu fazer!? Diz-me!!! Eu quero deixar de me cortar, eu quero deixar de me isolar mas ainda não estou curada, ainda não passou tudo nem irá passar. Tudo ficará registado na minha memória. Tudo mesmo, Andy. Apenas o que mudará é o facto de deixar esses monstros para trás e pensar num futuro melhor mas principalmente, neste presente que me está a escapar por entre dedos e tão rápido que ele caminha para bem longe de mim passando assim a mais uma memória dolorosa do que os monstros causaram em mim. São apenas cicatrizes, Andy. "
(continua)
por Al*, inventado!

domingo, 19 de junho de 2011

trying give me a end VI

" Criança teimosa, sempre teimosa. Ideias mais que fixas e nada poderia fazer-me mudar de ideias. Era pleno Verão e como eu gostava do Verão. Do Sol quente e senti-lo a ser absorvido pela minha inocente pele. Tinha apenas 9 anos, Andy. Nove anos de brincadeiras, confianças, sem preocupações. Apenas Viver. E esse Verão vivi demais para uma criança de 9 anos. Como era Verão, íamos para o Campo. Nem sabes o quanto ansiava todos os anos por estes dias no campo. Podia correr, pular, saltar. Sentir o vento, brincar com o pássaro e com um papagaio que o Tio fazia questão de fazer todos os anos. O quão eu gostava daquele papagaio e gostava de me deitar no monte e observá-lo a subir no céu azul. Sabes, uma menina com 9 anos não tem noção do que as pessoas são capazes! Para uma rapariguinha de nove anos, todas as pessoas são boas e as más estão na prisão. Os familiares são todos bons para a menina porque dão doces, brinquedos e dão atenção á menina de nove anos! Andy, eu dei confiança e deixei que me tocassem porque segundo o Tio, é normal! Ele fazia-me o papagaio e depois mexia-me nas pernas e estava constantemente presente aquando tomava banho a olhar-me! Eu, com 9 anos, não sabia o que era normal ou não. Até que o Tio decidiu ser mais radical e um dia em que estávamos sozinhos no monte, fim da tarde. Eu queria ir para casa porque estava cansada e com fome. O Tio levou-me ao colo. Estava quase a adormecer embalada pelo andar dele quando sinto ele a forçar e a tentar mexer-me nas partes baixas. Eu não conseguia abrir os olhos e dizer para ele parar porque eu só queria dormir. Até que sinto uma dor dilacerante e a boca do Tio perto dos meus ouvidos a emitir sons estranhos. Gritei e abri os olhos. Ele sabia que eu ia acordar e assim que viu os meus olhos grandes e castanhos a fitá-lo acho que ele acordou também. Pousou-me no chão e continuava com dores na barriga, vi sangue nas cuecas e pensei que tinha me aleijado quando caí ou assim. O Tio deixou-me ali, onde me pousou. Nem uma palavra e nem olhou para trás. Agora percebo, agora passados 8 anos percebo a razão de ele me ter abandonado ali, magoada na alma e no corpo. Simplesmente, não conseguiu lidar com o que me fez. Só no dia seguinte percebi o quão perto estava de casa mas não me tinha sido capaz de obrigar a levantar-me para enfrentar o Tio e por isso, acabei por adormecer sem saber o que tinha acontecido. Só sei que quando cheguei a casa e a minha mãe viu o estado deplorável em que me encontrava e levou-me logo ao hospital. Os médicos fizeram uma data de testes e no momento, achava que eles estavam a exagerar. A polícia apareceu para eu falar sobre o que aconteceu. Passei de uma criança extrovertida, alegre, amiga e simpática para uma criança calada, sempre metida no meu canto, não sorria, não queria ir a escola e quando ia, batia nos rapazes que me roubavam a boneca de cabelos loiros e vestido de noiva. Andy, o Tio foi para a prisão pagar pelo que me fez! Mais tarde quando já percebia verdadeiramente o significado do que ele me fez, foi a primeira vez em que me cortei. Tinha 13 anos. A minha mãe viu e levou-me ao psicólogo. Tive dois anos de sessões com ele. Andy, não consigo descrever mais, isto esgota-me e já estou tentada em pegar na tesoura ou algo pontiagudo que liberte a raiva que contenho dentro de mim. Só quero que ela desapareça. Só quero que ela desapareça e juntamente com esta eu vá também mas por diferentes caminhos. Poderia desvanecer numa nuvem negra como aquelas que me assombram todas as noites. Noites essas longas, fatídicas e quando acordo, é desgastada como se acaba-se de dar a volta ao mundo. Se era para ser sujeita a tamanha dor, sofrimento e marcada para ser assombrada, perseguida pelos monstros que conheci mais-valia nem ter nascido. Assim, não nascia longo nem sequer era predestinada a uma morte e muito menos predestinada a doloroso caminho que têm sido a minha vida. Nunca gostei de pensar que nos era traçado um destino mas tamanho azar não podia ser uma simples e mera coincidência, dear Andy.  "
(continua)
por Al* inventado
preciso de opiniões, queridos seguidores ;)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

trying give me a end V

" Olá, Andy. Desculpa a demora mas olhava-te e tinha tanto mas tanto para expressar e transmitir que quando me preparava para escrever nada saía, nada mesmo. Ficava tudo preso na minha mente e fazia com que eu subisse às paredes, basicamente, devido a tamanha frustração e mau estar comigo mesma. Decerto já estavas preocupado comigo pois estive uns dias sem te falar, decerto já pensavas que tinha cedido á tentação de tentar mesmo o suicídio. Sabes que estou confinada às quatro paredes do meu quarto, sabes que me alimento dentro destas paredes e não consigo simplesmente atravessar a porta do meu quarto e integrar-me novamente naquele mundo social por isso, não tenho como me suicidar a serio. Na minha mente, só iria resultar atirando-me de uma ponte, penhasco ou uma ribanceira qualquer e não estando louca ainda e com visões, no meu quarto não há nada disso. Há apenas imagens, quadros e representações desses elementos da natureza. Já pensei em afogar-me na banheira mas para isso preciso de ter realmente vontade e força para acabar com a minha vida e já vi que isso não possuo. Foi-me tirando aquando ia sendo quase atropelada. Ainda hoje penso nisto e não sei porque razão me assustou tanto ter estado tão perto da morte. Querido Andy, é irónico certo!? Querer morrer mas quando estamos perto de uma situação eminente em que não foste tu que a provocaste mas poderias morrer e isso assustou-me e talvez devido ao facto de não ter tido o controlo. De não ter sido eu a decidir. Eu quero decidir. Eu queria ter decidido quando fui violada pelo meu tio. Eu queria ter decidido quando descobri a traição da minha mãe. Eu queria ter decidido quando fui encontrar o Vasco com uma vaca qualquer. Eu queria ter tido o controlo. Eu queria ter evitado estas situações. E já disse, Andy. Apenas disse a razão mas não como me senti. E como aconteceu. Não consigo encontrar agora palavras para o fazer. Quer dizer, elas existem mas estão de tal modo ainda entaladas, embrenhadas em mim que não consigo expelidas. Espero que percebas, querido Andy agora que já sabes as razões espero que tenhas mais paciência comigo. Sim, agarrei num pedaço de vidro. Sim, o corte é profundo. Sim, escorre imenso sangue mas não me importo. Sim, sinto-me viva. Sim, Andy sinto-me mais leve e já respiro melhor. Gotas de sangue caiem nas tuas páginas e misturam-se com as minhas lágrimas derramadas ao relembrar um passado demasiado presente no meu dia-a-dia. Desculpa, não consigo escrever mais. "
(continua)
por Al*, inventado
foto da minha autoria ;)

domingo, 12 de junho de 2011

trying give me a end IV

" Apeteceu-me escrever outra vez. Parece que sinto-me mais leve e que consigo manter-me numa certa linha de aparente bem-estar. Tenho estado fechada em casa e principalmente, confinada às paredes brancas e inexpressivas do meu quarto. Não sei, sinceramente, onde hei-de arranjar forças e concentração para conseguir fazer os exames e enquanto pensava nisto e manuseava a caneta, reparei nas minhas cicatrizes. Já nem se notava a sua existência mas sempre se via ali a marca do meu sofrimento. Desde aquele susto que não voltei a magoar-me mas isso não me impediu de me sentir sozinha, extremamente melancólica e chorosa. Os meus pais nada me dizem. Não preciso que o façam. Desliguei o meu telemóvel e avisei a minha mãe de que não queria ver as minhas amigas. Neste momento, não sei nada delas e elas nada de mim sabem (quero acreditar que assim é!). Devem achar que acabei por enrolar uma corda envolta do pescoço e ter saltado. Apesar de estar no quarto, sei quando elas vêem saber de mim. Ouço a campainha, ouço as suas vozes perto da porta e a minha mãe a contar-lhes como eu tinha passado o dia e só ouço a típica resposta ‘Nada muda. Continua fechada naquele quarto!’. Confesso que por vezes tenho certos momentos em que penso que não posso continuar fechada. Que não posso deixar-me ir ao fundo desta maneira. Que há muita coisa para viver. Assim que penso isto, tento levantar-me mas o meu corpo está realmente fraco e assim que coloco os pés no chão e tento elevar-me, logo caio em cima da cama. Quando isto acontece, choro de tal modo que quase me afogo nas minhas próprias lágrimas, nos meus próprios problemas e fraquezas. Um dia, Andy vou arranjar coragem para te contar com todo o detalhe e pormenor a razão, a verdadeira razão e base das minhas atitudes. Entretanto, vou-te só descrevendo o quão interessante os meus dias têm sido e o quão solitária me sinto, apesar de ser uma escolha minha pois já tentei o convívio e de nada me serviu, só me trouxe ainda mais as memórias à superfície do ‘eu’ disfarçado que todos conhecem, excepto eu. Daí ter me recolhido de tal maneira para que quem não sabe quem eu sou ou o que já passei não ter a inocência de fazer a típica pergunta ‘está tudo bem?’ esperando assim a típica resposta ‘sim, está’. Pois, eu não consigo proferir a típica resposta e por isso privo-me de ouvir a típica pergunta. Ficaste confuso, querido Andy? Pois eu já o estou desde que me lembro. Tinha intenção de contar-te a minha infância mas assim que pensei nisto logo amarrotei as tuas folhas, risquei as palavras que pensava escrever e cheguei à conclusão de que ainda não estou preparada para te contar sobre a pessoa que eu era à certa de dez anos. O quão feliz e inocente fui e o quão rápido alguém me tirou essa inocência. Desculpa! Já te molhei com as minhas lágrimas e agora não tendo mais condições para escrever, pouso a caneta e enrolo-me debaixo dos lençóis, chorando e desejando adormecer sem cair na tentação de sonhar. "
(continua)
por Al* inventado! 

sexta-feira, 10 de junho de 2011

trying give me a end III

" Hey. Risquei-te tanto. Desculpa! Não sabia por onde começar e agora começo por disser que não sei por onde começar pois pensei se começar assim hei-de encontrar um caminho seguro e sem percalços para falar. Se calhar vou falar de coisas alheias. As aulas acabaram. Tenho exames. Hoje, ele viu os meus pulsos. E logo recebi uma mensagem dele: diz-me sinceramente que o que tens no pulso não é o que estou a pensar. Cliquei em responder e comecei: Olá também para ti. Sim, estou bem e tu?... - apaguei letra a letra. Decidi não responder. Não tinha nada a ver com o que eu fazia ou deixava de fazer com o meu corpo. Bloco de notas, vou começar a chamar-te de Andy. Gostas?! Claro que sim. Desde a última vez que te escrevi que continua a mesma guerra dentro de mim. O lado obscuro está a ganhar. E agora? Só me restas tu, Andy. Só me restas tu do meu lado benéfico. As tuas páginas confortam-me de modo estranho e inesperado. Não encontro o que sinto ao relacionar-me com outros seres humanos. As minhas melhores amigas perseguem-me com perguntas. Todos reparam em mim quando quero passar despercebida a olhares alheios. É irónico, no mínimo. Ele deve ter contado a Elas pois fizeram uma intervenção comigo. Apanharam-me sozinha e começaram com aquele discurso: Cat, porque fazes isto a ti própria? (pegando-me nos pulsos e afastando-me as mangas). Assim que viram o estado do meu braço, largaram-mo. As suas expressões faciais mudaram drasticamente e exprimiram um olhar de horror como aqueles que fazes quando vês filmes de terror. De seguida parece que acordaram e continuaram, é por causa Dele? E mantive-me calada. Falaram, falaram e falaram. Eu não ouvi nada. Não prestei o mínimo de atenção. Não quis sequer. Nem fiz um mínimo de esforço para as ouvir e tentar arranjar forças junto delas. Vi-a os lábios delas a mexer, os braços e andavam de um lado para o outro. Por vezes, reparavam na minha face e viam que eu estava alheia e não as ouvia – Cat, o que estamos a disser não te afecta? e respondi : Querem o meu bem. Eu também. Mas não é a persistirem que eu irei avançar pois só depende de mim. Apenas de mim – ficaram inertes a olhar-me. Levantei-me, reparei que tencionavam seguir-me mas fiz-lhes sinal para que não o fizessem. Sai da Escola e dirigi-me para um jardim à distância de meros 4 ou 5 quarteirões. Percorri aquelas ruas calmamente absorta nos meus pensamentos , tão absorta que quando ia a passar para o outro lado da rua ia sendo atropelada. Foi sério. Fiquei com a grelha do carro a míseros centimetros do meu joelho e assustei-me. Foi um verdadeiro susto em que poderia realmente ter morrido ou ficado de cadeira de rodas. Para mim, comparar isto a uns simplórios cortes no pulso que apenas tinham o intuito de me fazer sentir algo mais forte que o sofrimento que sentia no meu pequeno coração não tinha sentido. Eu podia mesmo ter desaparecido de vez e sem eu querer, sem eu ter vontade de que fosse assim. E agora, Andy? Diz-me que raio estou eu a sentir? Eu não faço a minima ideia mas que me assustou asério, assustou e talvez fez com que eu acordase deste pesadelo. Talvez, querido Andy , talvez pare de querer desaparecer. "

(continua)
inventado por Al*
música desta história: Johnny Cash - Hurt
ps: não consegui colocar video e continuo sem conseguir responder ou até mesmo comentar os vossos posts, queridos Seguidores. Culpem o Blog :o 

domingo, 5 de junho de 2011

trying give me a end II

" Estava a ver televisão e observei-te, meu querido bloco de notas, inerte … inanimado em cima da minha secretária. Procurei uma caneta e senti que tinha que te contar mais coisas sobre mim e sobre quem me rodeia. Digo-te já de antemão que por vezes tenho a mania de falar muito e por vezes tenho a mania de permanecer calada. Obrigo-me a guardar tudo dentro de mim. A colocar dentro de uma caixa que ninguém consiga abrir por isso, se houver dias, semanas ou até meses em que não escreva nas tuas páginas meio amareladas e amarrotadas, não te preocupes e eu espero que não tenha me dado uma coisinha má. Espero pois não te posso dar certezas porque nem eu tenho certezas e prefiro colocar as cartas em cima da mesa contigo, querido bloco. Comprometi-me contigo e quero honrar a minha promessa de te contar tudo o que se passa comigo. A razão pela qual me apeteceu escrever-te neste momento? Simples. Pensei na Morte. Mas não é dela que venho te falar agora. Ela passou-me pela cabeça porque primeiramente pensei nos meus pais. Pensei no quanto a minha mãe sofreu quando perdeu a mãe dela com apenas 14 anos de idade. E porque eu fui pensar nisto? Porque a minha mãe faz questão de mo lembrar constantemente quando eu não levanto os pratos da mesa, quando eu não levo a minha roupa suja para lavar, quando eu não a ajudo com as limpezas da casa, quando eu não arrumo o meu quarto, quando ela fica doente e precisa de nós. A minha mãe adora atirar-nos a cara que fazia tudo em casa mas mesmo tudo e mesmo assim arranjava tempo para estudar. Eu simplesmente digo ‘eu percebo’, respiro fundo e vou embora pois não consigo enfrentá-la. Depois disto, vem o meu pai que nunca falou comigo sobre mim. Nunca se interessou sobre o que eu gosto ou não de fazer. Ele não sabe que tipo de música oiço ou que desporto gosto mais de praticar … como ele diz ‘a tua mãe trata disso’. Se ele sabe alguma coisa de mim por mínima que seja, sabe-a porque a minha mãe se dá ao trabalho de lhe contar. Após 19 anos de casamento, a minha mãe acha que ele vai mudar. Acha que se vai interessar pelas nossas coisas e vai deixar de falhar como pai já que a minha mãe desistiu de tentar que ele não falha-se como marido. Agora, sinceramente querido bloco de notas, achas que vale a pena? Talvez, valha só pelo facto de ainda não ter feito coisas que gostava de fazer tal como viajar, conduzir, pára-quedismo, universidade e por aí. Mas se não sou feliz, se não confio em mim, se não consigo ser eu, se acho que não valho nada, se eu sou nada, como vou conseguir ser algo e ter isto tudo? Como? Eu quero respostas e tem me chegado algumas mas não me têm convencido o suficiente para deixar de pensar em morrer. Ainda me pergunto com que propósito eu, a minha pessoa, nasceu. Não sei. Não sei se existe realmente uma força superior que nos empurra para o nosso suposto destino ou até mesmo se temos um destino desenhado. Eu não quero que ninguém trace o meu caminho por isso se desejar morrer, eu morro. E ficamos por aqui hoje, querido bloco de notas. "

(continua)
inventado por Al*

quinta-feira, 2 de junho de 2011

trying give me a end I

" Tu queres saber o que sinto quando me corto? Não encontro palavras. Tento descrever cada gesto, cada sentimento que atravessa a minha mente para que queira cortar-me e também tento descrever o depois do acto estúpido. Sim, é parvo saber que é estúpido e acabar por realiza-lo á mesma. A boneca de porcelana que era partiu-se e em mil pedaços. Vou continuar assim. Não tenciono sentir-me bem. Até gosto da dor. A dor acorda-me. De certo, tu achas-me louca mas desde o que aconteceu que a única maneira de me sentir bem é fazendo mal ao meu corpo. Já li sobre pessoas que fazem o mesmo que eu e identifiquei-me com estas. Compreendi-as. Agora percebo o que vai na mente de alguém que se corta. A razão pela qual se cortam. Além disto, comecei a escrever. Encontrei um bloco de notas velho. Sacudi o pó e escrevi o que escrevi anteriormente. Não te dei nada demais sobre mim. Acho que devo dizer-te o básico: Meu nome é Catherine. Tenho 17 anos. Ando no 12ºano. Comecei a cortar-me recentemente. Meu bloco de notas, quero que me prometas não ficar chocado com as minhas confissões. Que vais estar sempre disponível para eu escrever as coisas ruins que provoco em mim. Que vais guardar este segredo com a tua vida. És a única coisa real neste emaranhado de ilusões que criei. Ao menos, tenho noção do que és e por isso, a partir de hoje vou contar-te toda a verdade, libertar cada pensamento e tentar curar-me. Quero tentar mas não prometo que vá deixar de procurar outras maneiras de me libertar. Um pedaço de vidro transparente é sempre bem mais convidativo do que agarrar numa caneta e escrever. Na minha cabeça, estou a ouvir-te. Sei que o que estás a pensar por isso, eu largo o vidro. Talvez mais tarde quando não estiveres por perto, meu bloco de notas. "
(como pedido, continua)
por Al*

domingo, 29 de maio de 2011

trying give me a end

 
"mil pensamentos percorrem os meus neurónios e todos acabam numa conclusão: acabar com tudo. terminar de respirar. Pôr um fim a algo que nem pedi que começasse, eu não pedi para sentir, eu não pedi para que chorasse ou sorri-se. Eu não pedi para lidar, eu não sei lidar. Ainda não aprendi como fazê-lo e ainda agora comecei e já estou a dar em doida. Sozinha comigo e com os meus pensamentos suicidas é realmente perigoso. Posso magoar-me, fazer-me sentir e libertar o que me magoa. Ás vezes, dou por mim a tentar dilacerar -me. Desde criança que procuro. Sinceramente, nem sei bem o quê mas sinto que quando encontrar irá fazer sentido e deixarei de me magoar, eu sinto. Com a minha busca, já sofri muito. Quis saber o que era o amor. Quis saber se era como aqueles filmes românticos, se as 'borboletas' existiam, se sentes que nada tens por debaixo dos pés, se sorris por tudo e por nada, se não paras de pensar nele, se sentes saudades quando não falas com ele, se quando ele te abraça tudo fica melhor e sentes que és capaz de tudo. Eu quis saber demais num tempo errado da minha evolução. Quis sentir tudo de uma vez. E com isto de querer saber o que é o amor também quis saber o que era sexo e no que se baseava. Com um simples desejo criei o que sou agora: frágil. Principalmente, frágil. Coração magoado e estilhaçado. Sem vontade de viver porque neste momento, não vivo. Ando aqui inerte. À deriva como a minha mãe dizia quando tinha 15 anos e não ligava ao que ela me dizia. Querida mãe, sabias e não me disseste com todas as palavras. Andaste com meios-termos a tentar avisar-me e eu estava cega. Não vi. Como foi de esperar, encontrei um rapaz. Bastou um sorriso e estava nas mãos dele. Senti demasiado e queria tanto mas tanto que não deixei as coisas acontecerem naturalmente, eu forcei. E agora, a culpa desta minha depressão sou eu. Fui feliz ou achava que era feliz. Se calhar tudo o que sentia era na minha cabeça. A nossa mente é capaz de nos pregar as partidas mais traiçoeiras. Achava-o perfeito - partida da mente; Achava que ele me respeitava e que me amava - partida da mente; Achava que ele nunca me iria deixar - partida da mente; O que quer que seja que eu achasse, era mentira. Eu mentia a mim mesma e ele tentou dizer-me a verdade mas eu não quis ver. Ele saltou do barco e eu afundei-me nele. Barco esse cheio de memórias boas, saudades, beijos, carinhos, cumplicidades, intimidades, pequenos-almoços na cama, juras de amor, 'amo-tes' que pensava serem verdadeiros. Eu afundei-me devido a estas pedras. Fiquei agarrada a elas e fui-me afundando até chegar onde estou ... no fundo. Uma noite sonhei. Aconteceu que vi tudo e senti tudo de novo até bater no fundo. Acordei a chorar e com uma dor que partiu ainda mais o meu coração. Não bastava como eu já estava. Perto de mim tinha um copo que parti. Peguei num dos pedaços e uni-o á minha pele. Senti dor. Despertou-me e larguei o pedaço de vidro, aterrorizada comigo própria. A outra 'eu', a eu que queria viver, que queria deixar para trás um passado, que queria soltar-se das pedras, salvou-me. Um fio de sangue escorria-me do braço e depressa estanquei o sangue. Não saberia o que fazer comigo a partir de agora e logo adormeci a chorar, enfiada nos lençóis. Desejando não acordar. A minha outra 'eu' apoderava-se de mim cada vez que adormecia e desejava sempre não acordar"

[puramente inventado mas sabem bem que isto acontece]
daria uma história? Quero Opinião!