“Então chegamos ao presente, Andy. Olá, sou a Catherine e já fiz os 18 anos. Os meus pais tentam manter-se juntos e eu, dear Andy tento manter-me viva. Nunca mais vi aquele canalha. E ainda bem. Nunca mais voltei a confiar em rapazes. E principalmente, naqueles em que aparentam ser mais velhos do que a idade que me dizem. O dinheiro nunca mais voltei a vê-lo. Aparentemente, sou uma rapariga normal. Tento esconder o que sou realmente perante a sociedade. Não preciso que os outros tenham pena de mim. Com tudo o que se passou comigo, ainda não entrei na Universidade. Tirei um ano para me recompor. E acho que vou dar em doida pois vou ter imenso tempo livre. Já pensei em arranjar um part-time mas o calor do meu quarto mantêm-me aqui. Aqui, não preciso de me esconder e nem tenho que me esforçar para não ser eu. Aqui, entre estas quatro paredes sou eu, a verdadeira Cath. A Cath magoada. A Cath que quando desespera recorre à auto-mutilação. E é disto que tenho medo. Supostamente, este ano é para me recompor mas vou ter imenso tempo livre, vou ter imenso tempo para pensar no passado. O passado vai ter imenso tempo para me destruir pouco a pouco. Eu preciso de algo que me mantenha longe de mim. Longe destes pensamentos suicidas. Quer dizer, na verdade não desejo morrer. Apenas desejo sentir algo mais forte do que senti quando o Tio (…) e de quando o Vasco ou John (…) e de quando descobri o segredo da Mãe. Dear Andy, gostava que fosses real. Mas um real em que tivesses tudo o que eu desejo. Um real em que fosses tudo o que eu sou (excepto a parte da auto-mutilaçã0). Apesar de fazer o que me faço, eu sou uma pessoa. Eu já me diverti. Eu já saí á noite. Eu já tive amigas. Eu já tive amigos. Eu já viajei. Eu já participei activamente na sociedade, tanto diurno como nocturno. Eu já fui feliz. Eu já nadei no Oceano. Eu já passei noites fora de casa. Eu já bebi e fumei e passei horas a rir. Eu já fui o dito adolescente ‘normal’. Eu já me babei, literalmente, aquando via rapazes lindos. Eu já trabalhei. Eu já fui feliz com os meus pais. Os meus pais já me deram na cabeça, por isto e por aquilo. Eu já fiz tudo e mais alguma coisa. Agora, tenho 18 anos e quero ir para a Universidade. Quero ter um emprego estável. Talvez um emprego que me leve a viajar por todo o mundo e conhecer tudo e mais alguma coisa. Quero registar tudo em fotografias. Quero ter filhos. Quero conhecer o Homem da minha Vida. Quero ter a minha casa de sonho junto ao mar. Sempre perto do mar. Dear Andy, quero isto tudo mas não estou psicologicamente preparada. Ainda penso em cortar-me. Ainda penso que não valho sequer o ar que respiro. Na verdade, estava só a sonhar alto. Na verdade, eu não sei realmente para que é que eu sirvo, com que propósito estou aqui, a respirar e a escrever-te. Não sei o propósito do meu caminhar nesta vida. A depressão e auto-mutilação tornaram-se as minhas palavras de eleição. Estas palavras são apenas o que me definem agora, neste preciso momento. Já não tenho amigos em quem confiar. Devo procurar quem eu deixei para trás!? Eu quero. Eu tenho saudades deles. Eu preciso deles. Vou pensar seriamente nisto e talvez te dê a conhece-los, dear Andy mas entretanto permaneço de pés e mãos atadas e por um indeterminado tempo.“
(continua, talvez)
por Al*
ps: nunca é demais relembrar, que é puramente inventado!







