" Passaram-se semanas e cada vez mais sentia o nosso filho a mexer-se, a lembrar-me constantemente de que ele existia e de que estava a crescer. Havia noites em que sonhava com o Rafael e o nosso filho. A vida que levaríamos, a casa que compraríamos, as férias. Tudo. E o melhor é que nesses sonhos, eu estava feliz, tu estavas feliz, estávamos felizes e éramos uma família. Uma Família.
Eu não sabia o que era uma e como seria ter uma família, não sabia o que se fazia e o que se partilhava. Eu não sabia e a culpa era do meu pai … e posteriormente, da minha mãe e talvez também minha por achar que uma família devia ser feita com um pai, uma mãe e filhos. E a minha família era eu e a minha mãe e durante uns tempos também foi o Rafael.
E agora por ironia do destino estava sozinha com um filho no ventre. Só eu poderia cuidar desta criança. Só eu e mais ninguém.
Quer dizer, ultimamente o Bruno tem estado comigo mais do que o normal. Gosto dele mas não da mesma maneira como era com o Rafael. Mas ele transmitia segurança e fazia os meus dias serem melhores e menos dolorosos.
- Maria, vamos sair!
Gritou ele perto da mesma janela em que o Rafael esteve naquela noite.
- Bruno, estás louco? Não me apetece! Dói-me imenso as pernas! Se quiseres, sobe.
Eu abro a porta e ele tinha uma caixa de chocolates de frutos do mar. Os meus preferidos.
- Awh, não acredito! Vou devorar essa caixa toda e desculpa mas não vou partilhar.
- Sim, são mesmo para ti e para o Júnior. (disse, sorrindo calorosamente)
- Obrigado, Bruno. Muito simpático.
Decidimos ficar ali por casa em vez de ir passear e ficamos a ver comédias românticas.
Fiz pipocas, devorei o chocolate.
- Porque choras?
- Porque estou grávida e hormonas!
- Não, Maria. Sentes a falta dele, não é?
- A todos os segundos, minutos, horas, dias, semanas …
- Acho que já percebi.
- Acho que já percebi.
- O que foi?
- Nada, não se passa nada.
- Mas ficaste estranho! Constrangido e triste.
- Não interessa, Maria. É das hormonas.
Conseguiu fazer me rir e ignorei aquele momento. Olhei-o e ele estava atento ao filme.
Fez-me lembrar o Rafael e consegui manter-me a sorrir pois não é só o facto de ele não estar presente que conta... também conta os inúmeros sorrisos, cumplicidades, intrigas e brincadeiras que tivemos. E como ele estava fez me lembrá-lo. Como sempre fazia e não desejei morrer mas sim guardar tudo e não esquecer.
(...) continua.
por Al*

7 comentários:
sim, homenageio-o sempre, com tudo o que tenho..
muito obrigada
Adorei paaa!
ahah ve la mas é se não tas gravida xD
eu acho que ela se vai apaixonar pelo Bruno por lhe tbm fazer lembrar o Rafael :'o
Bastante interessante esta história *
Está a ficar lindo +.+
sim é.
vai ser um bocado mais pesado em linguagem e tal :)
e obrigada* :)
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