domingo, 3 de abril de 2011

Sticks and Bricks XVI

"Acordei com o vibrar do telemóvel. Era o Bruno.
- Hey, desculpa. Vim ao cemitério!
- Está tudo bem?
- Sim, miúdo. Está tudo bem. Vim só falar com eles. Matar saudades. Querer dizer, chorar, sorrir. Pensar no podia ter sido. Ahm, Bruno … Podes vir ter comigo?
- Sim, claro. Vou já para aí.
Desliguei o telemóvel e voltei a aninhar-me e lá derramei umas lágrimas por um futuro que podia ter acontecido e não aconteceu.
Pouco tempo depois lá estava ele ao pé de mim. Não o senti chegar. Percebi que ele tinha chegado pois abraçou-me. Aninhou-se ao meu lado. Sentir o corpo dele encaixado no meu transmitiu-me segurança. Respirei fundo e consegui controlar o meu choro.
- Bruno, não me deixes, sim?
- Não te vou deixar. Por mais egoísta que por vezes sejas. Por mais estúpidas as tuas atitudes forem. Eu vou estar sempre presente. Como estive até agora, Maria.
- É tão bom ter alguém comigo, para variar.
Aconcheguei-me nos braços dele. Ele cada vez mais me puxou para ele. Ouvia a sua respiração perto do meu ouvido. Num salto, levantei-me.
- Bruno, vamos embora! Vamos embora daqui!
- Sim, vamos para casa, Maria. Tenho fome.
- Não, Bruno! Vamos viajar! Vamos curtir. Há tanto tempo que não bebo que não fumo uma shishalhada, uma ganza a sério ou até algo mais forte. Tenho saudades. Vamos embora daqui, Bruno.
- O que se passa?
- Sei lá, quero mesmo sair daqui! Não me perguntes a razão porque não sei. Sempre quis viajar. Sair realmente deste país, deste fim de mundo. Eu quero festas. Muitas festas. Quero guardar o meu passado numa caixa de … sapatos e colocá-la debaixo da cama! Vamos sair daqui. Viver realmente.
Ele sorria. Estava completamente extasiado pela minha atitude.
- Nunca te vi assim.
- Isso é porque nunca conheces-te este meu lado. Juro-te Bruno que a partir de agora vais conhecer a Maria que vai andar a partir a loiça toda. Estou cansada deste sofrimento. Deste luto … está a prolongar-se demasiado! Somos novos. Vamos fazer um inter-rail. Dormir em estações de comboios, sei lá Bruno! Apenas vamos. Diz-me que sim, por favor!
Ele começou a balbuciar um ‘Sim’ atrapalhado. Assim que percebi atirei-me para os braços dele e abracei-o! Espetei-lhe imensos beijos na cara, saltitava e agradecia.
- Que tal Londres, Maria? Ou Amesterdão? Não não! E se fossemos a Las Vegas?
- Nós vamos a todo o lado!
Como estava agarrada ao pescoço dele, ele começou a rodar. Sorria imenso. Nunca o tinha visto sorrir de maneira tão sincera como naquele momento. Saímos do Cemitério. Ambos nos despedimos do Rafael e desejamos que ele estivesse onde estivesse mas que estivesse a festejar.
- Nunca te irei esquecer, Rafael.
- Até já, Rafael.
-Sim, Até já.
Finalmente uma volta de 180º na minha vida. Não sei realmente que me deu mas isso nao interessa. Agora Let’s Party. Acabou-se (achava eu) a Maria Sofredora.

(continua)
por Al*

8 comentários:

Catarina disse...

woow que mudança!! estou a adorar

Catarina disse...

obrigada :)
yh eu de certa forma ate me assustou essa mudança. do tipo ganda reviravolta

Catarina disse...

nao
esta excelente

Anónimo disse...

Wow! Que mudança! Num momento está a sofrer pelo Rafael, noutro já está a quer ir para Las Vegas com o Bruno! Mesmo uma grande reviravolta!

Sara C. disse...

Adorei a mudança +.+

Anónimo disse...

Não, muito pelo contrário! Na minha opinião achava que ela precisava da uma injecção de adrenalina e fazer algo pela sua felicidade, e por um bocado de lado o passado. E foi isso que aconteceu. Estou a pensar em criar uma história também, mas não tenho bem a certeza. Que dizes?

Andreia Mariana F. disse...

sim, do Porto e do FC Porto. porquê?

Andreia Mariana F. disse...

pronto.. Rennie ajuda (;
(não leves a mal)