segunda-feira, 4 de julho de 2011

Sticks and Bricks XXX


" Aquele sim foi a maior alegria que lhe pude dar. Continuei a trabalhar na ex-Empresa da minha mãe. Subi de cargo e agora sou Chefe de Departamento dos Recursos Humanos. O meu pai passou 3 anos na reabilitação. Saiu de lá um Homem novo. Os meus pais renovaram os votos e foi uma cerimónia linda mas mesmo linda. A minha mãe arranjou emprego num jardim infância, algo que ela sempre quis fazer, trabalhar com crianças. A Alexia e o Gonçalo casaram-se. Sim, casaram-se e eu fui a madrinha. E o tempo foi passando. Passaram-se 7 anos até hoje. Hoje, que é o dia do meu Casamento. Sim, eu Maria Vasconcelos vou casar com o Bruno Mendes, o Homem da Minha Vida. Acordar hoje de manha foi a coisa mais fácil pois não preguei olho a noite inteira. Passei a noite em branco a rever cada detalhe do Casamento. Até aqui tudo bem. Até ser assolada com as típicas dúvidas mas estas não eram aquelas típicas pois se ter perdido um filho e o suposto homem da minha vida aos 17 anos é aquela típica dúvida, não sei o que as outras serão. Olhava o vestido de noiva e parecia tudo irreal, tudo um sonho e que iria ser beliscada por alguém e iria acordar deste sonho cor-de-rosa mas não, Maria … Isto que estás a viver não é um sonho! Tudo porque já passaste, é passado e não podes deixar que isso te atrapalhe. Olhava o relógio e eram 5 da manha. Daqui a umas horas vais casar com um Homem fantástico que deu a vida por ti. Um Homem que te acompanhou na fase mais infeliz da tua vida e por agora, tudo está bem por isso aproveita, Maria. O Rafael queria que assim fosse, lembras-te!? Ele queria que avançasses, que seguisses em frente pois ele está com o Júnior e tudo está bem. Não te podes martirizar pelo facto de agora estares feliz!
6 da manha e a dúvida permanece.
Não sei se consigo atravessar a Igreja e dar o meu braço ao Bruno. Por mais que eu queira e ache que seja o mais correcto a fazer, não me parece certo fazê-lo agora. Não sei o que se está a passar. Porque raio agora que estou prestes a dizer um ‘sim’ frente a um identidade e a casar-me realmente mas é só papel! O que raio se passa, contigo, Maria!? É só um registo! Nada vai mudar. Tu amas o Bruno. Tu confias nele. Tu dás a vida por Ele. Tu és a mulher da vida dele. Está na Hora, Maria.
8 da manha.
Decerto que adormeci no meio destas dúvidas que me tiram o ar e me dificultam a respiração. O relógio bateu as 8, estava na hora de ir arranjar o cabelo. O Casamento era só ás 11 da manha mas está tão próximo e eu cheia de medo. Não sei o que fazer. Avançar ou … a Campainha toca. 
Eu: Hey, mãe. O que estás aqui a fazer?
Mãe: Vim acompanhar-te nesta caminhada! Então, dormiste bem? 
Eu: Não. Estou nervosa, mãe.
Mãe: Isso é normal, minha filha. É um dia importante na vida de uma mulher.
Eu apenas atravessei o corredor que dava para o meu quarto e vislumbrei as fotografias emolduradas e penduradas na parede. Fotografias de Amsterdão. Fotografias tiradas nestes 7 anos. Fotografias do Casamento dos meus pais e do Gongas. Todos sorriam, incluindo eu. Tudo parecia bem. Vesti uns jeans rotos e um top. Saímos as duas e fui o caminho todo a responder á minha mãe apenas com ‘sim’, ‘não’, ‘talvez’, ‘okay’, ‘já percebi’. Não tinha nada a dizer-lhe! Regressei a casa com um penteado lindo mas mesmo lindo. Estava tudo perfeito. Tudo como eu queria mas sei lá não me sentia bem comigo própria! Eu ia para a igreja numa carruagem puxada por dois cavalos lusitanos. Ele ia para a Igreja de moto. Como ele sempre quis. Cada vez que as horas avançam sentia mais, repensava mais e relembrava ainda mais um passado longínquo! Por momentos, sorria e pensava ‘então, Maria … Não faz mal nenhum quereres ser feliz e casar! Deixa-te levar’. O meu coração disparou quando olho o relógio. Faltava apenas 5 minutos para as onze da manha. Já tinha o vestido enfiado no meu corpo franzino e frágil e nem tinha dado por isso. Os meus pensamentos andavam longe, bem longe. Estava na hora. O caminho de carruagem foi rápido e quando dei por ela já estava a subir as escadas da Igreja.
Assim que me preparava para entrar na Igreja algo me impediu. Não conseguia, simplesmente avançar. Eu mandava os meus pés realizarem o acto de andar e nada. O meu pai, que me tinha pelo braço, reparou e assim que ele me olhou nos olhos, as lágrimas caíram. Caíram de tal modo que não consegui pará-las. Ainda não era o momento de entrar. Tinha que me acalmar e não queria ninguém comigo mas é nestas alturas que as pessoas nos rondam.
Pai: Então, filha? Estás a ouvir-me? Filha?
Eu, despertando: Ahm, pai. Não sei. Não consigo avançar!
Pai: Então mas não o amas!?
Eu: Se o mal fosse esse era mais fácil. O pior é que amo. Mas também amei e não consigo deixar para trás o meu filho e o Rafael. Não estavas cá, não entendes. Foi muito difícil para mim, pai. 
Pai: Não posso dizer que percebo, minha filha pois não estava cá e arrependo-me disso desde o dia em que te abandonei mas Maria, é passado. É só um passado doloroso. Está na hora de pensares em ti … e no Bruno! Ele está realmente feliz. Dedica o teu tempo, amor e amizade a ele, está na altura de seguires realmente em frente e de fechares esse capítulo da tua vida a sete chaves e bem, guardares apenas as boas memórias e aprenderes a conviver com elas de modo a que estas não te afectem. O que está a acontecer, é que as memórias estão a afectar-te e não podes de maneira alguma deixar que isso aconteça. Nada de mal irá acontecer se pensares na tua felicidade. Nada de mal irá acontecer a não seres feliz!! 
Era disto que sentia falta. Do meu pai. Dos seus conselhos. Sentia falta de o ter comigo. De estar presente nas alturas mais difíceis da minha vida. Veio tarde mas ainda a tempo e agora ele tem razão. Só me resta ser feliz. E com o Bruno. Ele está a minha espera. O Homem da minha vida, espera-me. E Maria, nada vai mudar. É só um contrato. Nada demais. É só um vestido de noiva lindo. E o Homem com quem queres partilhar tudo. Por isso, respira e atira-te de cabeça tal como o Bruno tem feito contigo nestes últimos anos. Fá-lo por ele. Ele merece. Está na altura de fazeres algo por ele. As minhas pernas começaram a andar mas ... "

(continua, um dia)
por Al*, já com saudades desta história que nunca terá um fim pois é uma vida, 
é a vida das personagens. Só morrerá quando estas morrerem!

3 comentários:

silvia disse...

adorei :)

Sara C. disse...

Amei , como smp (:

Anónimo disse...

Comecei a ler a alguma horas a tua história e acabei +.+
Está linda, escreves muito bem sem margem de dúvida :D
Pff continua a escrever a história +.+ Eu gostava de continuar a ler e saber o que se vai passar a seguir.
Please :$
Beijinhos