sexta-feira, 22 de julho de 2011

trying give me a end XI

"Não sei se devo fazer grande alarido e gritar " Voltei, Andy " ou se devo vir pé ante pé e pedir desculpas. Sim, estou vida, vou sempre estar. A última vez que te falei foi estranho, aquilo aconteceu mesmo, Andy. Deves andar farto dos meus dramas e na tua mente deve apetecer-te gritar comigo a pulmões abertos para eu crescer. Já deves ter reparado o quanto o Vasco me magoou e como desejo não voltar a falar nele mas devo-te isto e por isso vou contar-te o resto. Então, depois daquele corte irreflectido que ele presenciou, o Vasco passou a estar ainda mais presente nos meus dias e como os meus pais pouco paravam em casa, eles não se importavam da presença dele pois ficaria a tomar conta de mim. Passou-se um ano. Um ano de luta para ambos, para nos curar dos fantasmas do passado... Assim pensava eu. Nesse ano, o Vasco conseguiu colocar-me fora de casa, provocou idas ao shopping, á praia e até mesmo saídas à noite. Ele foi a minha cura temporária e com isto, ele curou-se a ele mesmo, achava eu. Fazíamos um ano de namoro e ele veio ter comigo a pedir-me uma quantia exuberante de dinheiro e eu, cega de amor, emprestei-lhe. Uns dias depois ouvi uma conversa ao telemóvel : " Vick, têm calma contigo! Não posso ir ter contigo hoje. Tenho que ficar. Tenho de ser credível para ela confiar ainda mais! " Como não ouvia muito bem, aproximei-me dele e ouvi a resposta dela que atravessou-me como facadas e foi mais ou menos isto : " Eu não quero saber! Tens que aparecer cá hoje á noite, John. Estou cansada de te partilhar com essa miúda mimada e cheia de problemas! Pede-lhe a próxima parte e saímos daqui no final da semana. Também te amo ". Comecei a recuar e tropecei. O Vasco ou John virou-se para trás e assim que me viu desligou o telemóvel sem dar satisfações á sua companheira e estendeu-me a mão para me ajudar a levantar e eu inspirei fundo, recompus-me e tentei afastar a voz dela da minha cabeça mas cada vez mais fazia eco e não aguentei. As lágrimas caíram. Foi impossível manter a postura mas consegui convencê-lo de que estava a acabar de chegar, que tinha tropeçado e que estava transtornada pois tinha visto uma carta de uma empresa de advogados e achava que os meus pais se iriam separar. Assim que eu disse isto, observei a sua linguagem corporal e os músculos descontraíram assim que ele percebeu que eu não tinha ouvido a conversa mas eu ouvi e foi como levar uma chapada com toda a força que tu possuís. Então, Andy e agora? Tipo no momento, fingi. E pronto, fingi que estava tudo bem. Cinco estrelas - que mentira mais mentirosa pah. Ele abraçou-me mas deu-me nojo e afastei-o de mim, subi as escadas para o meu quatro e tranquei a porta. Ele veio atrás de mim. Bateu na porta inúmeras vezes e eu gritava para ele me deixar em paz, que precisava de espaço para mim. Ele não saiu mas ao menos desistiu de bater na porta. De manha, acordei e verifiquei que ele dormi ali. Não percebo. Porque raio ele se importa tanto comigo se apenas se aproximou de mim para me extorquir? Acordei-o e ele disse que tinha que ir a casa. E eu pensei " Ah pois. A Vick ameaçou-te! Tens que ir amassar a fera! ". Então, Andy decidi segui-lo. Quando chegou a casa, já ela estava lá. Cabelo preto, morena, alta e aparentava ter uns vinte anos enquanto que o Vasco ou John aparentava ter uns 17. E eu estava quase a fazer anos, sweet sixteen. Assim que se viram, beijaram-se. Não consegui e abordei-os e foi mais ou menos assim.
C: Olá, Vasco. Ou devo dizer, John.
Ele virou-se e ficou chocado com a minha presença. Estavam ambos em silêncio e a olharem-me perplexos com a situação pois não esperavam ser apanhados.
V: Hey, miuda.
C: Eu sei que és mais velha, mais bonita mas podias ter um pingo de respeito.
V/J: Hey, meninas, acalmem-se.
C: Eu sei que só queres extorquir-me.
V/J: Então, sempre ouviste a conversa. Pois, já esperava mas quis acreditar que não e quis acreditar na tua desculpa.
C: Sim, mas a tua mentira foi muito maior que a minha.
V/J: Eu posso explicar! Há uma explicação.
C: Não, não há! Então, tudo o que passamos, sentimentos, o psicologo, momentos, isso tudo que passamos, é uma mentira, uma ilusão?
V/J: Não é bem ...
C: Cala-te crlh! Esta pergunta têm apenas duas opções, Sim ou Não e responde sinceramente, seu filho da mãe. Agora que está tudo á deriva, sê sincero.
V/J: Sim, Cath. Foi tudo uma ilusão. Desculpa.
C: Era só isso que precisava de saber.
A Vick sorriu. O Vasco ficou com uma cara que nem sei descrever e eu, bem eu , virei-lhes as costas e nem lhes pedi o dinheiro. Virei-lhes as costas para eles não verem as minhas lágrimas e Andy, foi nesse dia, nesse maldito dia em que descobri tudo, em que fui completamente enganada e usada como uma marioneta que decidi fazer algo para me fazer sentir viva, para me fazer sentir minha e que eu mandava no meu corpo. E procurei nas drogas essa sensação mas só quando me cortei acidentalmente é que senti o que procurava e até hoje, Andy só a auto-mutilação me fez sentir. E não resisti a um cortezinho no dedo, desculpa mas foi doloroso demais voltar a falar disto mas acho que é assim que tudo vai mudar, a enfrentar as coisas e a criar o meu próprio caminho. Chega por hoje, Andy. Desculpa e não sei quando hei-de voltar.

(continua)
por Al*

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