quinta-feira, 10 de março de 2011

Sticks and Bricks V

(foto minha autoria)

" Levantei-me, bati com a porta do quarto e deitei-me na cama.
- Filha, não me faças isto! Desculpa. Agora vejo que deveria ter-te consultado mas queria apenas o teu bem!
Chorava e chorava. Ignorava a minha mãe. Finalmente ela saiu.
De repente, lembrei-me da foto que tinha no meu diário. Levantei-me num salto e desarrumei o quarto á procura do raio do Diário. Encontrei-o debaixo do colchão. Folhei-o apressadamente e com o coração a bater á velocidade da luz, finalmente encontrei-a.
Eu tinha um sorriso de orelha a orelha e ele beijava-me na face. Lembro-me nitidamente do momento em que a tiramos. Fazíamos 6 meses de namoro e estávamos na casa da árvore.
M: Amor, 6 meses contigo! 6 Meses que esta casa existe. É o nosso pequeno lar, o nosso pequeno refúgio.
R: E vamos ter muitos mais e vão ser todos festejados aqui.
Ele puxou-me para ele, beijou-me calorosamente até eu refilar que estava a ficar sem ar. Ele largou-me e desatou a rir-se. Para me vingar, ataquei-o da mesma maneira e comecei a percorrer o seu corpo escultural com as minhas pequenas e geladas mãos, arrepiou-se assim que me sentiu. Larguei-o e ri-me.
R: Que foi, amor?
M: Vinguei-me , nanana!
R: Ahahah, se cada vez que quiseres vingar-te, for assim podes fazê-lo sempre, meu amor.
Ali mesmo, faltamos ás aulas e ficamos a tarde toda, os dois. Tiramos aquela fotografia, fizemos amor, comemos um lanche que ele arranjou e ali ficamos, agarradinhos a tarde toda.
Aquela fotografia era só mais uma memória que escondi da minha mãe, pois estava demasiado óbvia e ainda bem que a escondi pois nunca pensei que a minha mãe, a minha Mãe, fizesse o que me fez.
O meu pai deixou-nos, tinha eu 5 anos. O que me lembro dele são apenas memórias pouco lúcidas e também confundidas com as fotografias que a minha mãe nos tirou.
Desejava a presença dele e que ele fizesse o seu papel de pai para comigo, por vezes sinto que a minha mãe não me percebe e desejo ter conhecido o meu pai.
Escondi a fotografia para a minha mãe não ter a tentação de lhe dar o mesmo destino a que deu ás outras fotografias.
Saí pela janela e deitei-me no telhado, respirei fundo e tirei a pedra que estava escondida na calha e desfi-la demoradamente, enrolei, acendi e fechei os olhos.
R: Amor, essa pedra é minha.
M: Ahah, desculpa amor. Eu partilhava mas tu partiste.
R: Sim, desculpa por isso. Consegues perdoar-me?
M: Sim, quando eu estiver contigo. Eu perdoo-te.
R: Espero que seja daqui a muitos, muitos anos. Não quero que percas uma vida só para estares comigo.
M: Se bem que era o que me apetecia. Tenho saudades tuas.
R: Mas eu estou contigo. No teu coração, sempre contigo. Não tenhas medo.
Assim que disse isto, vi o seu vulto a desaparecer envolto num nevoeiro cerrado. Entrei em pânico.
M: Ei, onde vais? Não era suposto ficares comigo? RAFAEL!

Abri os olhos e a ganza já estava morta. Senti um arrepio e a presença dele. Senti-me como me sentia quando Ele me abraçava. Fiquei atónita e num acto de desespero apaguei o que restava da ganza no meu pulso. Fechei os olhos e apareceu Ele outra vez.
R: Amor, isto que vês é fruto da tua mente. Eu não sou real.
M: Sempre que fechar os olhos tu vais aparecer?
R: Enquanto me mantiveres no teu coração, sim vou.
M: Eu prometo não chorar mas não vou prometer que vou seguir com a minha vida. Tu és o MEU Homem.
R: Amei-te, amo-te e amar-te-ei sempre, minha Maria.
Voltei á realidade e doeu. Voltei á realidade e desejei não ter voltado. Mas não me sentia triste. Ele estava comigo não fisicamente, infelizmente… mas estava comigo.
Ouvi a minha mãe a bater á porta e a gritar
Mãe: Anda jantar, minha Filha.
Maria: Não tenho vontade, mãe.
Mãe: Okay, filha. Eu não insisto.
E ali fiquei, no telhado a falar com ele o resto da noite como faríamos se Ele estivesse vivo. "

(...) continua.
por Al*

3 comentários:

Catarina disse...

adorei $:
e sim escreves maravilhosamente bem. admite !!
podemos escrever as duas bem, ha espaço pra tudo :3
obrigadaa

Catarina disse...

tbm eu :c

Catarina disse...

acho q t estas a sair optimamente bem :)