quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sticks and Bricks XVII

(uns meses depois)
"Cumpri o que foi dito naquele dia no cemitério. Tinha que cumprir. Tinha que avançar. E tinha o Bruno comigo, o meu companheiro de festas a dias inteiros, o ombro onde posso chorar, os braços em que posso cair e sentir-me segura.
É óptimo. Gosto imenso dele. Voltei a falar com o grupo que tinha. Voltei a sair com o Gonçalo. Ele tinha namorada e tornamo-nos próximas. Já algum tempo que não tinha uma rapariga com quem falar e cuscar, tipo coisas de gajas!
Saiamos todos os santos fins-de-semana. E todos os ditos fins-de-semana bebia imenso. Vodka preta e Jack Daniels. Divertia-me imenso. Não havia fim-de-semana que não brindássemos ao Rafael.
Gonçalo: A ti, best mate!
Alexia (namorada): Não te conheci, mas brindo a ti também.
Bruno: A ti, miúdo. Prometo que tomo conta dela.
Maria: A ti, Rafael. Toma conta do Júnior. A ti e ás todas noites que passamos e nos divertimos tanto ou mais que estas noites que tenho passado. Era óptimo que aqui estivesses. A ti!
E lá chocávamos os copos de Jack e ia tudo de penalty. Faziamos careta e lá íamos para a pista curtir a noite toda. Fumávamos umas (muiiiiitas, alias) e curtíamos imenso.
Sabia me bem aqueles momentos de descontracção e loucuras. Realmente bem.
O Gonçalo e a namorada tiraram férias. Eu estava desempregada pois com os medicamentos para a depressão e com tudo o que passei já não conseguia manter o emprego.
Num domingo, estávamos numa esplanada á hora de almoço a curtir a ressaca quando tive a melhor ideia de sempre.
Eu: Pessoal, que bem que estávamos numa praia. Num sítio paradisíaco. Fora de Portugal. Curtir a noite e as pessoas de outro país. Sei lá.
Disse aquilo por dizer pois não pensava que eles alinhassem. Foi um pensamento inocente mas o melhor de sempre.
Eles estavam de cabeça inclinada para trás com os óculos na cara e quando acabaram de ouvir levantaram a cabeça, baixaram os óculos até a ponta do nariz e fizeram-me aquele olhar de satisfação e lançaram-me um sorriso de orelha a orelha.
Alexia: Oh rapariga, temos que fazer compras! Ver horários de barcos, comboios, aviões. Estamos todos com uns diazitos de férias, poucos mas dá para desaparecer deste fim de mundo.
Gonçalo: Vamos fazer um InterRail.
Bruno: Não podemos falhar a Holanda.
Eu: Queres é ver as meninas nas montras ahahahahah.
Ele aproxima-se do meu ouvido e diz: Não querida. Prefiro ver-te a ti.
Admito que fiquei corada. Andávamos numa fase amorosa. Estávamos bem um com o outro. Até ali nunca tinha acontecido nada e também não queria. Mas gostava dos carinhos dele, das preocupações dele, da atenção que ele me dava, de tudo. E além disto, ele é realmente apetecível. Mas não quero meter-me noutra. Por agora. Acho que não consigo resistir aquele corpo incrível, aqueles abdominais, aquelas costas. God, que pedaço de mau caminho! Cada vez que dava por mim a ter estes pensamentos corrigia-me pensando ‘Não, Maria. Estás bem assim! Não o faças sofrer’.
E assim foi. Mantive-me no meu canto. Um dia a Alexia veio ter comigo com uma conversa sobre ele.
Alexia: Gostas dele, não gostas?
Eu: Sim, claro. Como gosto do Gonçalo, de ti.
Alexia: Maria, tu podes não ver. Mas eu vejo! Até o Gonçalo vê!
Eu: E o que é que vocês vêem?
Alexia: Olhares. Cumplicidade. Intimidade. Coras quando ele te elogia.
Eu: Eiii, Eiii! Não vás por aí!
Alexia: Ah vou vou!
Eu: Não, Alexia! Ele esteve sempre comigo. Não me abandonou como a minha mãe me fez. Construímos uma relação que aos olhos de outros possa parecer algo mais do que amizade! E além disso, ele não quereria nada comigo além disso.
Alexia: Ah! Já pensaste nisso! Ahahahahahahah. Tão querida.
Eu: WHAT? Que estás praí a dizer? Aserio, Alexia! Fogo pah.
Virei costas e saí do café.
Fui o caminho todo a pensar na conversa dela. Aquela miúda não existe. Fouda-se, realmente parece que gosto dele, daquela maneira que a Alexia diz. Não sei. Não me sinto preparada e aposto que ele tem aquelas conversas porque eu lhe dou confiança e não, porque gosta de mim. Não sei. Também não lhe vou perguntar. Eu não gosto dele. Quer dizer, gosto. Ele apoiou-me quando mais ninguém o fez. Gosto dele por isso. Por me fazer rir. Por me fazer sentir segura. Por me fazer sorrir só por trocas de olhares. Parecia que falávamos por telepatia. Realmente, próximos como se fossemos namorados. Já chega de pensar nisto. Só dá dores de cabeça. Estamos bem assim. Se houver alguma coisa que ele fale comigo. Sou tímida demais para isso.
(...)
Enquanto andava com o coração às voltas planeámos a nossa viagem. Não íamos perder Holanda, sem dúvida alguma. Amava ir á Grécia … E partilhávamos o mesmo gosto. Por isso, também não íamos falhar a Grécia. Escolhemos a rota em que estava estes países incluídos.
Por isso, ia ser Benelux (Bélgica, Holanda, Luxemburgo), Dinamarca, Finlândia, Grécia Plus, Itália, Irlanda e Suíça.
Realmente, só tenho ideias brutais e então ressacada nem se fala, ahahaha.
Um mês fora a ver estes países todos. A experimentar culturas, talvez daquelas em carne e osso (ai os italianos)! Não nos faltou nada. Nem a minha mãe sabe para onde raio vou. Nem sabe que já estou melhor. Não sei nada dela. Não sei sequer se ainda é viva! Já não sei como é a voz dela. Está longe e não sei sequer onde raios ela está. Se ela voltasse, estava tentada em perdoá-la. Estou bem comigo agora e quero que todos fiquem bem. Mas a minha mãe não se dignou a um telefonema, uma carta, um email … NADA! Também não interessava. Agora tenho uma viagem com as melhores pessoas comigo. O Bruno, o Gonçalo e a Alexia.
Estava tudo perfeito. Tudo pensado. Nada iria falhar. E partimos rumo ao horizonte longínquo e tencionávamos não voltar tão cedo. "

(continua)
por Al*

3 comentários:

Catarina disse...

I'm in love with your storyyy aaaa quero a continuaçao $:

Sara C. disse...

Amei !
Está cada vez melhor.
Espero pela continuação *

JoanaSantos disse...

depois de muito tempo sem ca vir...
CUM CARALHO !!!

AMO AMO AMO XD