terça-feira, 10 de maio de 2011

Sticks and Bricks XXV

" Decidi não me deprimir mais e aproveitar os dias que nos resgatavam naquele paraíso. Saímos, fizemos compras, sexo em provadores, almoçamos, compramos mais erva e snifamos branca. Não parávamos e tínhamos que aproveitar. Estávamos ali para nos divertir ao máximo, ultrapassar limites e quebrar regras. O Bruno era só o parceiro ideal para isso e além disso, amava-o!
Durante estes dias perdemos de vista o Gongas e a Alexia. Nós saiamos para passear e eles ficavam a dormir porque a noite tinha sido longa, demasiado longa e andávamos assim desencontrados mas já sentia falta de falar com a Alexia. Um dia apanhei-a meia a dormir, meia acordada.
Eu: Então, rapariga?
Alexia: eish, não me digas nada. Ontem fiz um cocktail de drogas e agora estou aqui ainda a tripar, omfg.
Eu: Ahah, é na boa! Fazes bem!
Alexia: Então, tu e o Bruno namoram ou isso é só estar e nada de oficial?
Eu: É mais a segunda opção e estamos bem assim!
Alexia: Espero bem que assim seja, slut.
Eu: Tu estás tão fodida, men!
Alexia: Acontece, miúda. Acontece! E como tem sido estarem só os dois e tal?
Eu: Oh miúda, queres saber!? O sexo com ele é a coisa mais fantástica. Ele sabe onde me tocar.
Alexia: Ahah, ainda bem! Gostas dele?
Eu: Sim, gosto mas não quero nada sério. É óptimo assim! Mas não queria falar disto. Queria falar sobre uma carta.
Alexia: carta, que carta?
Eu, enquanto tirava a carta debaixo do colchão: Esta carta!
As minhas mãos tremiam ao ver o meu nome lá escrito. Eu queria abrir mas não conseguia.
Alexia: Então porque não abres?
Eu: Porque é da minha mãe! A letra é a dela.
Alexia: Ups, não sei que te dizer a não ser para leres a merda da carta!
Eu: EU sei EU sei! Mas merda, não vejo a minha mãe há meses! Há meses que nada me diz. Nem um telefonema, nada! Não quis saber de mim! Soube que perdi o meu filho e não quis sequer telefonar-me para saber se estava tudo bem. Nem a merda de um telefonema, Alexia..
As palavras começaram a falhar e as lágrimas a quererem cair e não consegui conter .. desatei a chorar e agarrei-me á Alexia e apenas balbuciava: N ..em a mer..daa de u..m telefo..ne..ma! Fou…da…-se , meeen. Q..ue rai..va.
Não queria ser fraca e chorar assim. Não queria. Eu sou forte. Eu não posso deixar-me afundar. Não agora que consegui subir tão alto. Não agora, men! Tive um ataque de coragem e decidi enfrentar aquela carta e abri-la.

“ Escrevi e rescrevi esta carta mil e uma vezes. Já sabia o que dizer. Já tinha tudo planeado mas não sabia como começar e comecei assim, olha sem mais nem menos. Filha, decerto que esqueceste que eu pedi que conhecesses o teu pai. Eu percebo que não tenhas tido tempo. E não, nunca me esqueci de ti. Só que não consegui telefonar-te. Soube de ti via o advogado. Assim que lhe telefonaste, ele entrou em contacto comigo e contou-me a asneira em que te meteste. Esquece esse Homem. Não o procures. Já o assustaste. Por isso, agora nunca mais o procures, já te vingaste e isso chega, querida filha! NÃO PROCURES ESSE HOMEM! CONFIA EM MIM! (…) “

Não consegui controlar-me e desatei a rir. Ri-me com as suas palavras, “não consegui telefonar-te”, AHAHAH! Mãe, metes-me nojo! Parei para me controlar e decidi continuar pensado porque raio ela quereria que não procura-se aquele homem

“ (…) Não sei o que te deu para ires nessa viagem assim sem mais nem menos. Espero que estejas a aproveitar e que voltes como nova. Deves estar a questionar-te porque razão apenas contacto contigo por cartas e nem sequer te dou oportunidade de escreveres para mim .. a razão é que não quero que saibas onde estou, não quero que venhas ter comigo porque tenho medo das tuas perguntas. Não consigo enfrentar-te agora, filha. Estás magoada comigo pois eu abandonei-te. …”

Cá para mim, nunca vais conseguir enfrentar-me. Nunca te vou perdoar! Podes voltar mas não vamos voltar a ser as mesmas, mãe. Cobarde!! Bem, vou continuar .. pode ser que saiba algo mais de interessante … ou não!

“ (…) Sei que estás para ai a reclamar comigo em voz alta e a dizer que nunca me vais perdoar. Eu conheço-te e sei disso mas nunca é demais pedir perdão! Não me procures! Não tentes sequer. Estás melhor assim. E só te escrevi devido á confusão em que te meteste, se não nem me atreveria a fazer-te sofrer com a minha ausência ao enviar-te esta carta. Bem, eu tenho que ir e peço-te uma última vez, NÃO procures esse Homem. Ele não vai voltar a incomodar-te. Eu sei. Mas por amor a deus, não o procures. Por amor a ti, a mim .. ao teu pai. A tudo, minha filha. Não procures esse Homem!! Ele vai te levar a lugares perigosos onde encontraras gente perigosa. Por amor á tua vida, não procures esse Homem! Até um dia, minha filha. Amo-te! “

E agora? Agora minha mãe, despertaste a minha curiosidade e nem que seja a última coisa que eu faça, eu irei descobrir que segredo esconde esse Homem para não quereres que eu o procure é porque é algo assim de estrondoso. Ou menos, sei que estás viva. Ao menos, sei que sentes culpa pelo facto de me teres abandonado..ao menos, isso! E sim, mãe .. também te amo, apesar de tudo!
Nem tinha reparado que a Alexia me tinha abandonado! Talvez quando me deu aquele ataque de coragem … Agora, preciso de traçar um plano. Agora pela primeira vez na minha vida, tenho uma missão e por acaso, é tipo um jogo do cão e do gato e adoro! E como sempre, eu vou ganhar. Não sei realmente o que me espera mas de uma coisa eu tenho a certeza … Eu e aquele homem vamos voltar-nos a encontrar cara a cara e desta vez vou usar as palavras em vez da violência.

(continua e desculpem ser tão pequeno)

4 comentários:

silvia disse...

gostei , continuação :)

Sara Silva disse...

Tens toda a razão minha querida, esquecer é uma coisa impossível por agora, acho que isso dificilmente vai acontecer nestes próximos tempos, realmente, ainda não estou ''curada'' porque me escapam as lágrimas aos olhos cada vez que penso nele... Mas muito obrigada minha querida :)
E obrigada por seguires*
Beijinhos doces!

Anónimo disse...

Quero a continuação!
E cá para mim esse homem é o pai dela!

Sara C. disse...

Despertou-me imensa curiosidade esta parte +.+
Amei.