" Criança teimosa, sempre teimosa. Ideias mais que fixas e nada poderia fazer-me mudar de ideias. Era pleno Verão e como eu gostava do Verão. Do Sol quente e senti-lo a ser absorvido pela minha inocente pele. Tinha apenas 9 anos, Andy. Nove anos de brincadeiras, confianças, sem preocupações. Apenas Viver. E esse Verão vivi demais para uma criança de 9 anos. Como era Verão, íamos para o Campo. Nem sabes o quanto ansiava todos os anos por estes dias no campo. Podia correr, pular, saltar. Sentir o vento, brincar com o pássaro e com um papagaio que o Tio fazia questão de fazer todos os anos. O quão eu gostava daquele papagaio e gostava de me deitar no monte e observá-lo a subir no céu azul. Sabes, uma menina com 9 anos não tem noção do que as pessoas são capazes! Para uma rapariguinha de nove anos, todas as pessoas são boas e as más estão na prisão. Os familiares são todos bons para a menina porque dão doces, brinquedos e dão atenção á menina de nove anos! Andy, eu dei confiança e deixei que me tocassem porque segundo o Tio, é normal! Ele fazia-me o papagaio e depois mexia-me nas pernas e estava constantemente presente aquando tomava banho a olhar-me! Eu, com 9 anos, não sabia o que era normal ou não. Até que o Tio decidiu ser mais radical e um dia em que estávamos sozinhos no monte, fim da tarde. Eu queria ir para casa porque estava cansada e com fome. O Tio levou-me ao colo. Estava quase a adormecer embalada pelo andar dele quando sinto ele a forçar e a tentar mexer-me nas partes baixas. Eu não conseguia abrir os olhos e dizer para ele parar porque eu só queria dormir. Até que sinto uma dor dilacerante e a boca do Tio perto dos meus ouvidos a emitir sons estranhos. Gritei e abri os olhos. Ele sabia que eu ia acordar e assim que viu os meus olhos grandes e castanhos a fitá-lo acho que ele acordou também. Pousou-me no chão e continuava com dores na barriga, vi sangue nas cuecas e pensei que tinha me aleijado quando caí ou assim. O Tio deixou-me ali, onde me pousou. Nem uma palavra e nem olhou para trás. Agora percebo, agora passados 8 anos percebo a razão de ele me ter abandonado ali, magoada na alma e no corpo. Simplesmente, não conseguiu lidar com o que me fez. Só no dia seguinte percebi o quão perto estava de casa mas não me tinha sido capaz de obrigar a levantar-me para enfrentar o Tio e por isso, acabei por adormecer sem saber o que tinha acontecido. Só sei que quando cheguei a casa e a minha mãe viu o estado deplorável em que me encontrava e levou-me logo ao hospital. Os médicos fizeram uma data de testes e no momento, achava que eles estavam a exagerar. A polícia apareceu para eu falar sobre o que aconteceu. Passei de uma criança extrovertida, alegre, amiga e simpática para uma criança calada, sempre metida no meu canto, não sorria, não queria ir a escola e quando ia, batia nos rapazes que me roubavam a boneca de cabelos loiros e vestido de noiva. Andy, o Tio foi para a prisão pagar pelo que me fez! Mais tarde quando já percebia verdadeiramente o significado do que ele me fez, foi a primeira vez em que me cortei. Tinha 13 anos. A minha mãe viu e levou-me ao psicólogo. Tive dois anos de sessões com ele. Andy, não consigo descrever mais, isto esgota-me e já estou tentada em pegar na tesoura ou algo pontiagudo que liberte a raiva que contenho dentro de mim. Só quero que ela desapareça. Só quero que ela desapareça e juntamente com esta eu vá também mas por diferentes caminhos. Poderia desvanecer numa nuvem negra como aquelas que me assombram todas as noites. Noites essas longas, fatídicas e quando acordo, é desgastada como se acaba-se de dar a volta ao mundo. Se era para ser sujeita a tamanha dor, sofrimento e marcada para ser assombrada, perseguida pelos monstros que conheci mais-valia nem ter nascido. Assim, não nascia longo nem sequer era predestinada a uma morte e muito menos predestinada a doloroso caminho que têm sido a minha vida. Nunca gostei de pensar que nos era traçado um destino mas tamanho azar não podia ser uma simples e mera coincidência, dear Andy. "
(continua)
por Al* inventado
preciso de opiniões, queridos seguidores ;)
4 comentários:
wow! Bem, realmente ela tem razões de sobra para ser como é, agir como age. É realmente complicado a situação que descreves e infelizmente não acontece só nas história, acontece na realidade e tenho impressão, que de certa forma, és como eu :D Gostas de retratar o lado negro da vida, chocar, levar as pessoas a reflectir sobre aquilo a que estamos sujeitos. :) Não és daquelas pessoas que escreve banalidades de uma simples adolescente que se apaixona pelo patusco rapaz da escola, o rapaz da escola é popular e tem montes delas e no fim, acaba por gostar da outra porque tem melhor carácter. Eu gosto de histórias como a tua: histórias que me deixam a pensar e que falam do lado mau e negro da vida porque ao contrário do que muita gente pensa, a vida não é boa e só pensa assim quem nunca viveu verdadeiramente. Pronto, e em suma, o que eu quero dizer é que estás de parabéns, mais uma vez, pela história que estás a fazer! Um beijinho e espero ansiosamente pelo próximo capítulo! ^^)
omg até me arrepiei quando li esta história... :s mas parece tão real, parabéns!
Olá :)
Marquei-te numa tag do meu blog:
http://sorrisometalico.wordpress.com/2011/06/19/tag/
Adorei a história, ao lê-la parecia-me cada vez mais real, a sério, parabéns xD
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