O mundo tornou-se escuro e frio. A magia que víamos com cinco anos apenas desapareceu. Os pesadelos tornaram-se realidade e agora pouco vivemos, tornou-se mais um sobreviver. Criaturas do escuro atormentam-me dia e noite. Perseguem-me procurando culpados pela sua desgraça. E eu choro e imploro, ajoelhando-me, por paz. Amor, paz e menos egoísmo. Não, afinal não. No fundo, desejo apenas coisas fúteis e materialistas mas na verdade, são coisas que quero mas que depois já não quero. Não sei explicar e com isto fico aleatória e escondida no tempo que passa. Passando a pertencer a um passado escuro e consequentemente, longínquo. O presente passa-me diante dos meus olhos castanhos claro e inexpressivos. A lágrima teima a cair e quando cai fica num passado não muito presente. Apenas a música me oferece o conforto que procuro e nada me pede em troca. Com a música, a voz que oiço, incessantemente, cala-se como a voz e embalo da mãe cala o choro de um bebé. A voz é estranhamente calma e eleva-se ao que desejo e mantêm-me inerte, deixando que as incertezas me assaltem e posteriormente, impelindo-me à escrita, à tristeza profunda do meu ser e ao humor de cão. À minha volta, todos procuram que eu os compreenda, que lhes dêem os melhores conselhos mas há-de chegar o dia em que nada terei para dizer. Nada sairá desta boca, nem um som. Apenas, ouvirei e acenarei com a cabeça para posteriormente, caminhar noutra direcção. Caminharei para bem longe. Tropeçando no vestido longo e branco. Caminho esse cheio de pedras e buracos. Caminharei sozinha por mais que os outros me digam que estarão sempre presentes. Sempre caminhei na ilusão da presença de quem mais gosto mas no entanto, verificou-se a minha solidão neste mundo. Sempre será assim. Perdidos na ilusão do que aparenta ser, convictos de que assim é. Acreditando piamente mas no fundo, só podemos contar connosco próprios e com o que somos capazes de fazer e criar, de modo a não passar despercebidos neste mundo.
por Al*
inspiração:







